Escrever um artigo como esse, um a cada mês gera algumas expectativas. Algumas boas e outras nem tanto assim.
As expectativas boas, afinal é sempre bom começar pelas notícias boas, é sempre imaginar que de um mês para o outro poderíamos ter fatos positivos para comentar e comemorar, como por exemplo, verificar que a inflação anda um pouco mais controlada, que o nível de emprego está estável e próximo do que entendemos por pleno emprego, que as vendas em período específicos como páscoa, natal, dia das crianças, por exemplo, estão em patamares elevados, que os preços dos alimentos, apesar de ainda elevados, pararam de crescer de forma assustadora como vinha acontecendo e que, olhando esses indicadores podemos perceber que a economia brasileira vai bem, criamos boas expectativas.
Mas, como já foi dito por aí, o Brasil de fato não é um país para amadores. É verdade que o jogo político existe em qualquer país, em qualquer democracia ou mesmo em países não democráticos. Faz parte do jogo. Por definição, a oposição se opõe, a situação apoia, alguns estão em cima dos muros e, infelizmente, muitos nem sabem o que anda acontecendo. Infelizmente.
Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Mesmo nesse jogo político não podemos perceber que existe algo que esteja acima de tudo e de todos que o interesse do país em busca do bem estar da população. Quando digo país, essa afirmativa pode ser também a uma cidade.
Daí vem as expectativas ruins. Surgem quando percebemos que uma boa parte da oposição no Brasil perdeu a referência desse ponto fundamental que é o bem estar social e trabalha única e exclusivamente em prol de interesses privados, de seus próprios interesses.
Mais ou menos assim: se sou oposição, sempre me oporei, mesmo que esteja falando que fatos políticos que tragam benefícios sociais. Isentar do imposto de renda é bom para a grande maioria dos brasileiros? É! Mas como a proposta veio do governo, sou contra. Por que sou contra? Não importa! Sou contra e ponto final.
O trabalhador brasileiro anda esgotado com uma carga de trabalho abusiva? Anda. A perda de produtividade é fato diante do grande número de afastamentos por doença, e do grande número de acidentes de trabalho fruto de esgotamento do trabalhador.
Mas reduzir a jornada do trabalho não poderia reduzir os efeitos perversos sobre a produtividade? Poderia. Então a redução da jornada de trabalho poderia ser benéfica para o país? Poderia. Mas não importa. Sou contra. Se isso acontecer o país vai quebrar, gritam. Como gritaram quando acabaram (?) com a escravidão.
Deveria haver um limite para ser oposição e esse limite é o desenvolvimento social, do bem-estar social. Mas esse limite não existe mais no Brasil. Viramos um país no qual os interesses privados superam os interesses públicos.
É ruim para a sociedade? É. Mas é bom para meus interesses? É. Usando aquele bordão de um antigo programa de televisão, a sociedade que se exploda!
Essas são as expectativas ruins. Nós, brasileiros, que vivemos em uma democracia representativa, estamos reféns de um congresso (escrevo sim congresso com c minúsculo) que se alienou dos interesses da nação. Que se encastelou em Brasília legislando somente em interesse próprio e se lembrando que existe um povo brasileiro quando pode usar esse povo brasileiro em benefício de seus interesses escusos.
Esse é o atual perfil de nossos representantes. Não somente em Brasília, mas nas capitais e nas cidades. Esse é o perfil de um grupo de pessoas que deveriam pensar no todo, mas não conseguem e não podem deixar de pensar no privado.
Pobre de uma nação que depende que representantes assim!



