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    Quarta, 25 Fevereiro 2026 18:10

    Onde estão os pardais?

    Recentemente, uma pequena nota no pé da página de um jornal fez com que uma luz se acendesse.

    A notícia era simples e ao mesmo tempo, não é.

    Se todos nós repararmos, o número de pardais que nos acompanham por toda uma vida vem sendo reduzido sem mesmo que possamos notar. Talvez muitos perceberam isso pela redução do barulho que faziam. Ou mesmo, da sujeira que naturalmente faziam.

    Um pássaro que sempre foi um exemplo de algo sem muito valor, sem muita expressão e quando digo valor, considero tanto em relação a um pássaro belo, de penas coloridas, canto mavioso e que por isso não possui outro valor, esse agora comercial. Se pardal fosse um pássaro valioso, com bom preço no mercado, estaria sendo mais bem tratado.

    Mas não é. E isso não quer dizer que não valha nada. Vale muito e representa muito e seu lento desaparecimento representa o que estamos fazendo com o meio ambiente.

    Agora já escuto gritos daqueles que, sistematicamente, negam a existência de todo e qualquer problema ambiental. Tanto aqueles que negam por total desconhecimento de toda e qualquer coisa, quanto aqueles que negam por puro e simples interesse. Afinal, o que vem movendo o mundo são os interesses. Se há interesse, seja qual for, surgem atitudes, sejam políticas, sejam econômicas.

    Muxoxos serão feitos. Afinal, para muitos a natureza se reorganiza. Quando do momento do rompimento da barragem de Mariana, alegaram que o rio Doce com o tempo se refaria, voltando a ter águas menos poluídas. Mesmo que isso possa acontecer, será que nós, seres humanos, poderemos esperar por esse tempo?

    Mas, voltemos aos nossos pardais. Uma pesquisa rápida nos informa que seu desaparecimento é fruto do que estamos fazendo com o meio ambiente. Nossas cidades possuem uma quantidade cada vez menor de árvores, de verde, e basta olhar pela janela, aqui mesmo em São Gotardo para verificar que isso é uma triste verdade. O espaço para esses pequenos animais construírem seus ninhos vem sendo reduzido drasticamente.

    Quem nunca cobriu com cimento ou qualquer outra coisa, as frestas de suas paredes exatamente para afastar o barulho e sujeira dos pardais?

    Usamos pesticidas de forma descontrolada reduzindo a quantidade de insetos, uma fonte de alimentação desses pássaros. Criamos gatos, cachorros, produzimos lixo em abundância e lixo traz consigo muitas coisas, inclusive ratos. E ratos gostam um bocado de um pardalzinho.

    Geramos poluição, do ar, sonora, iluminamos em excesso nosso ambiente e, queiramos ou não, provocamos efeitos perversos sobre os pardais.

    Muitos poderiam, ao ler essas linhas, perguntar: mas porque isso é importante? Afinal, são apenas pardais e pardal não serve para nada. Pelo contrário, atrapalha.

    Se persistimos na nossa pesquisa, iremos descobrir que pardais são conhecidos por serem bioindicadores. Traduzindo em miúdo, o desaparecimento dos pardais é uma prova de que estamos conduzindo mal nossas cidades. A urbanização desenfreada, sem planejamento, sem controle, gerando poluição, gerando caos, mostra que estamos vendo cidades crescerem e, no entanto, esse crescimento é, na verdade, puramente quantitativo. A qualidade de vida vem sendo duramente atingida.

    E um sintoma disso é o desaparecimento dos pardais. Enquanto cortamos árvores porque sujam nossos passeios, retiramos o espaço necessário para que esses pequenos pássaros possam viver.

    É simples? Não!

    Precisamos repensar nosso ambiente de vida. A cidade é nosso ambiente de vida e estamos nela sem pensar do que precisamos. Crescemos desordenadamente.

    E quando percebemos isso, será, infelizmente, muto tarde.

     

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