
Enquanto escrevo assisto ao jogo da seleção brasileira contra a seleção japonesa em plena copa do mundo e um jogo como esse levanta algumas questões que para muitos deverão soar estranhas diante de algumas arraigadas em nossas mentes.
Um jogo que está acontecendo em plena segunda-feira de uma semana normal, no meio da tarde em um horário que, se não fosse a peculiaridade da copa do mundo, estaríamos, todos nós, trabalhando.
E aqui começam as questões a que me refiro.
Para muitos é um verdadeiro absurdo a atividade econômica parar para que nós, brasileiros, possamos assistir aos jogos. Muitos comerciantes, industriais, questionam a necessidade, se é que é realmente uma necessidade, de paralisar tudo por causa de um jogo de futebol.
Um simples jogo de futebol, gritam! Um bando de homens correndo atrás de uma bola e por quê devo fechar meu comércio, minha indústria, as escolas e todo o resto.
E é essa racionalidade que está em jogo (sem querer fazer qualquer trocadilho), ou seja, não é possível fechar uma atividade econômica e reduzir o faturamento de vendas por causa de um simples jogo de futebol.
Um dia, uma tarde, umas duas horas, uma única hora com o estabelecimento fechado implica em perda de vendas, perda de faturamento e perda do santo graal do capitalismo, o deus-lucro.
Afinal, o lucro impera acima de tudo e de todos.
Muitos decidem por não fechar seu estabelecimento. Levam televisores para o local de trabalho, exigem que o funcionário vá assistir ao jogo com a condição de que voltem rapidamente. Não se pode perder nenhum cliente. Vendas, vendas acima de tudo.
E nesse debate muitos se esquecem, ou mesmo se recusam a saber, que não é somente uma partida de futebol. Faz parte da nossa cultura, do nosso saber viver e colocar a racionalidade do lucro acima da cultura de um povo gera conflitos, insatisfações e mesmo, em caso extremo, revoltas.
Um jogo como esse, mais do que a disputa esportiva, impera um conjunto de relações pessoais e sociais. Nós nos reunimos em festas, churrascos, em torno de mesas de bar, bebendo e comemorando a vitória ou afogando as mágoas caso haja uma derrota.
É essa racionalidade que entranha em nossas mentes e acabamos por relegar a segundo plano a cultura de um povo em prol dos interesses econômicos.
Vimos essa mesma racionalidade em um período muito mais traumático do que uma possível derrota no jogo da seleção brasileira.
Há cinco anos atrás começou no mundo uma grave pandemia, de triste memória, de Covid 19 e todos nós, hoje, sabemos as consequências nefastas dessa lógica dos interesses econômicos acima dos interesses de uma sociedade, nesse caso, uma questão de saúde pública.
700 mil pessoas morreram por causa da maneira vil como a pandemia foi considerada aqui no Brasil. A lógica do interesse econômico acima de tudo impedindo que medidas fundamentais para o controle da doença fossem implementadas.
É claro que não estou comparando uma situação a outra, mas, guardadas as devidas proporções, a discussão é a mesma.
É futebol sim, mas é também a cultura de um povo.
E não podemos perder a noção de que, a economia é importante sim, mas para que serve tudo isso se o bem-estar da sociedade for relegado a um plano inferior?
Em tempo. Estamos no intervalo do jogo e a seleção brasileira está sendo derrotada pela seleção japonesa. Espero que viremos o jogo!
Estamos um mês mais próximos das eleições majoritárias de outubro. Aos poucos os candidatos vão se definindo, as especulações crescem, as notícias, verdadeiras ou não, surgem de forma rápida e desaparecem de forma mais rápida ainda.
O que é normal em período assim.
Agora, o que não é normal e isso já vem acontecendo há algum tempo e não dá mostras que deixará de acontecer é os ataques criminosos à verdade.
De uma forma estranha, uma boa parte da sociedade brasileira passou a se comportar como se contar uma mentira fosse alguma coisa próxima da normalidade.
Ou então acredita, piamente, se uma mentira for contada repetidas vezes se tornará uma verdade. O que não é verdade, sem considerar o trocadilho infame.
Já ficou em um passado distante um processo eleitoral no qual os candidatos discutiam propostas, discutiam projetos, mesmo que fosse um projeto meio absurdo como ligar o oceano atlântico à lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte.
Até que seria bom ir à praia em BH e não ter que enfrentar estradas horríveis para conseguir chegar, com muito custo de tempo e dinheiro, no Espírito Santo. Afinal, em Minas o trem não vem prosperando muito bem.
É também normal que, em uma eleição majoritária como a de outubro, na qual serão eleitos deputados, senadores, governadores e o próximo presidente da República, não mobilizar muitos esforços em um município. Fica parecendo que as eleições estão muito longe ainda mais quando se trata de um lugar distante, principalmente da nossa realidade, que é Brasília.
Mas, mesmo que tenhamos essa impressão, não é um fato que eleições majoritárias não nos afetam estando nós presos nos nossos dias a dias nas cidades.
Temos que ter em mente que é nas cidades que os fatos acontecem. Onde as políticas públicas geram resultados, onde as estradas bem cuidadas geram benefícios, as escolas mostram seus resultados, a saúde pública se torna eficaz e por aí vai!
Mas se olhamos em um mapa e verificamos a distância entre, por exemplo, São Gotardo e Brasília, veremos que estamos a uns 550 quilômetros de lá. Agora, quando olhamos para o retorno obtido das nossas decisões eleitorais, estamos, infelizmente, a alguns anos-luz de lá.
Dai surge um fato que vem se tornando frequente no Brasil. Passamos a não gostar de política e principalmente dos políticos já que não conseguimos ter nenhuma boa notícia vinda ou de Belo Horizonte ou de Brasília.
E por quê isso?
É uma questão que venho dizendo repetidas vezes nesse espaço. Os políticos não são uma escolha divina e sim escolhas nossas diante de um ato solitário em frente às urnas eletrônicas.
Digo solitário mas não é verdade. É uma ação que fazemos tendo como companhia nossa consciência apesar do fato de que muita gente parece que a deixa em casa quando sai para votar.
Temos que ter em mente que devemos votar preocupados com uma questão básica: nosso bem-estar. Não há sentido alguma nossa economia ser sólida, em crescimento se não colocarmos na frente que o fim último do jogo político é ter uma sociedade justa e equalitária.
Se hoje nós, Brasil, somos um país de alto desenvolvimento humano como foi divulgado recentemente, é fruto de políticas sociais sérias e responsáveis e por isso não podemos mais acreditar em qualquer coisa vinda de qualquer um, mesmo que seja um apresentador de programa de televisão.
Escrever um artigo como esse, um a cada mês gera algumas expectativas. Algumas boas e outras nem tanto assim.
As expectativas boas, afinal é sempre bom começar pelas notícias boas, é sempre imaginar que de um mês para o outro poderíamos ter fatos positivos para comentar e comemorar, como por exemplo, verificar que a inflação anda um pouco mais controlada, que o nível de emprego está estável e próximo do que entendemos por pleno emprego, que as vendas em período específicos como páscoa, natal, dia das crianças, por exemplo, estão em patamares elevados, que os preços dos alimentos, apesar de ainda elevados, pararam de crescer de forma assustadora como vinha acontecendo e que, olhando esses indicadores podemos perceber que a economia brasileira vai bem, criamos boas expectativas.
Mas, como já foi dito por aí, o Brasil de fato não é um país para amadores. É verdade que o jogo político existe em qualquer país, em qualquer democracia ou mesmo em países não democráticos. Faz parte do jogo. Por definição, a oposição se opõe, a situação apoia, alguns estão em cima dos muros e, infelizmente, muitos nem sabem o que anda acontecendo. Infelizmente.
Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Mesmo nesse jogo político não podemos perceber que existe algo que esteja acima de tudo e de todos que o interesse do país em busca do bem estar da população. Quando digo país, essa afirmativa pode ser também a uma cidade.
Daí vem as expectativas ruins. Surgem quando percebemos que uma boa parte da oposição no Brasil perdeu a referência desse ponto fundamental que é o bem estar social e trabalha única e exclusivamente em prol de interesses privados, de seus próprios interesses.
Mais ou menos assim: se sou oposição, sempre me oporei, mesmo que esteja falando que fatos políticos que tragam benefícios sociais. Isentar do imposto de renda é bom para a grande maioria dos brasileiros? É! Mas como a proposta veio do governo, sou contra. Por que sou contra? Não importa! Sou contra e ponto final.
O trabalhador brasileiro anda esgotado com uma carga de trabalho abusiva? Anda. A perda de produtividade é fato diante do grande número de afastamentos por doença, e do grande número de acidentes de trabalho fruto de esgotamento do trabalhador.
Mas reduzir a jornada do trabalho não poderia reduzir os efeitos perversos sobre a produtividade? Poderia. Então a redução da jornada de trabalho poderia ser benéfica para o país? Poderia. Mas não importa. Sou contra. Se isso acontecer o país vai quebrar, gritam. Como gritaram quando acabaram (?) com a escravidão.
Deveria haver um limite para ser oposição e esse limite é o desenvolvimento social, do bem-estar social. Mas esse limite não existe mais no Brasil. Viramos um país no qual os interesses privados superam os interesses públicos.
É ruim para a sociedade? É. Mas é bom para meus interesses? É. Usando aquele bordão de um antigo programa de televisão, a sociedade que se exploda!
Essas são as expectativas ruins. Nós, brasileiros, que vivemos em uma democracia representativa, estamos reféns de um congresso (escrevo sim congresso com c minúsculo) que se alienou dos interesses da nação. Que se encastelou em Brasília legislando somente em interesse próprio e se lembrando que existe um povo brasileiro quando pode usar esse povo brasileiro em benefício de seus interesses escusos.
Esse é o atual perfil de nossos representantes. Não somente em Brasília, mas nas capitais e nas cidades. Esse é o perfil de um grupo de pessoas que deveriam pensar no todo, mas não conseguem e não podem deixar de pensar no privado.
Pobre de uma nação que depende que representantes assim!
Um fato aterrador assustou a todos os brasileiros no ano passado. De repente, ficamos sabendo que um grupo de pessoas fraudava o INSS através de descontos realizados nos benefícios dos aposentados, descontos esses mais falsos que nota de três reais.
Um verdadeiro escândalo e um escândalo bilionário. O valor fraudado, ou seja, roubado dos aposentados girava na casa dos bilhões de reais e passamos a escutar bazófias e arroubos de autoridades dizendo que vamos fazer isso, vamos fazer aquilo, vamos ser rápidos, etc, etc, etc.
Nada mais aconteceu. Algumas pessoas foram presas, o dinheiro desviado não se sabe onde foi parar. Somente ao INSS restou o custo de devolver aos aposentados os valores que lhes foram surrupiados.
No Congresso, deputados e senadores se arvoraram para criar uma CPI que iria investigar esse roubo escandaloso. Fizeram e aconteceram. Ameaçaram, convocaram uns e outros para prestar depoimentos e finalmente, depois de algum tempo perdido, a CPI foi encerrada e um relatório foi produzido.
Até aí, tudo indo à mais monótona rotina. Agora, quando o relatório foi divulgado o que percebemos? Mais do que chegar a algum resultado prático que levasse à resolução desse crime, vimos um relatório falho, mais preocupado em gerar palanque de discurso eleitoral para candidatos de oposição do que realmente preocupado na reparação do prejuízo dos aposentados.
Relatório esse que não foi aceito pelos deputados.
E é essa a grande questão que tempos para o ano de 2026. Teremos eleições majoritárias e os nossos (in)dignos representantes deverão ser novamente escolhidos pelo voto popular. Mas, como sempre tem um “mas” no meio do caminho, o que nós, brasileiros, faremos?
Continuaremos a votar em pessoas mais interessadas em atender a interesses próprios ou interesses privados daqueles que financiaram a campanha ou elegeremos representantes realmente preocupados com o bem-estar social?
Temos hoje um Congresso Nacional de costas para o povo, completamente dissociado das necessidades do povo brasileiro. Brasília, mais do que nunca, se tornou um país à parte, com interesses e soluções próprias. Senadores e deputados lutar para preservar e aumentar seu ganhos sendo poucos, bem poucos, aqueles que estão lá com o intuito de realmente representar o povo brasileiro.
Encastelados, vivem para reproduzir interesses privados. Um projeto de lei, como por exemplo, aquele que isenta do pagamento do imposto de renda o trabalhador que ganha menos que cinco mil reais, mesmo que benéfico para o povo, tem o voto contrário de deputados e senadores somente porque o projeto de lei tem com autor o governo federal. Se sou oposição, tenho sempre que votar contra, mesmo que seja um bom projeto com ganhos sociais significativos.
Vamos combater a misoginia? Isso é importante? Claro que é! Mas alguns deputados e, pasmem, deputadas, votam contra por ser um projeto de interesse do governo. Sou oposição. Voto contra sempre!
São representantes assim que queremos?
O que deve ser prioritário para eles? Os interesses de quem eles representam? Quem de fato eles representam? O povo, seus financiadores ou o próprio umbigo?
Ano de eleição. Um ano que nós devemos dar a devida importância. Afinal, nos representarão nos próximos quatro anos e, mais uma vez, nem lembraremos em quem votamos? Seja prefeito, vereador, governador, deputados, senadores, presidente, quem queremos que nos representem?
Ou que queremos mais uma vez um Congresso totalmente dissociado dos interesses nacionais?
De novo?
Em alguns momentos, creio, perdemos um pouco a noção das coisas.
É fato que economia e política andam sempre de mãos dadas. Não se pode falar de política sem pensar na questão econômica e também não podemos pensar em fazer política econômica sem pensar no jogo político.
Essa deveria ser uma questão resolvida na cabeça de todos nós, mas, infelizmente, não é o que acontece.
Seria a mesma coisa que discutir táticas a serem adotadas em um jogo de futebol e ignorar o papel da bola nesse jogo.
E sempre que nos aproximamos de um período eleitoral essa discussão volta à baila. Afinal, perguntam todos, que tipo de políticos queremos?
Se pensarmos somente no poder executivo, presidente, governadores e prefeitos, uma acirrada discussão tem início e a velha pergunta volta para nos assombrar, como que um espírito que vaga solitário.
O governador deve ser um bom gestor, bradam alguns. Assim como o prefeito, complementam outros. A resposta para isso é, ao mesmo tempo, uma resposta simples e ao mesmo tempo, não é.
Tem que ser um bom gestor? Não necessariamente, mas tem que ter alguma ideia de gestão também. Mesmo que se compare, de forma errônea devo acrescentar, a gestão de um Estado ou de uma cidade à gestão de uma empresa ou das nossas casas, a ideia é simples. O chefe do poder executivo, mesmo tendo noções de gestor, tem que saber delegar e delegar significa escolher para ter ao seu lado, pessoas que de fato sejam gestores.
Traduzindo em miúdos, o prefeito deve ser cercado por secretários eficientes assim como os governadores. Mas... (em qualquer tragicomédia, tem sempre um mas...)
Como escolher sua equipe de gestão? Essa escolha é sim, um ato político e deve envolver todo o espectro político que permitiu a eleição do governador ou do prefeito. Aí a política existe e faz muita falta se for ignorada.
Qual rua devo asfaltar? Qual praça devo revitalizar? Em que local devo inaugurar um novo posto de saúde? Onde se faz mais necessário um reforço policial? Porque algumas regiões de uma cidade têm melhor infraestrutura urbana do que outra?
São decisões técnicas? São. Mas antes de tudo são decisões políticas.
E como levar a cabo estas decisões que são políticas? Discutindo em praça pública? Debates em redes sociais? Não é assim tão fácil.
Em primeiro lugar, vivemos em uma democracia representativa. Mesmo que essas escolhas sejam debatidas na base da sociedade (e é muito importante que sejam) a palavra final será dos representantes que foram escolhidos através do voto popular e em um mundo ideal essa palavra final deveria ser aquela que representa os interesses da população que, é fato, escolheu estes representantes.
Isso funciona sempre? Infelizmente não. E é fácil entender isso. Basta que tomemos como exemplo a atual Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Nunca se viu, na história republicana brasileira, um Congresso Nacional tão afastado e tão dissociado dos interesses da população brasileira. Anistia, PEC da blindagem, discussões que somente refletem interesses individuais que se concentram nas famigeradas bancadas. Da bala, do boi, da Bíblia, do jogo, disso e daquilo, todas buscando trazer sua sardinha para as melhores brasas.
Estamos vivendo um momento surreal na política brasileira. Vivemos um tempo de Murici, onde cada um cuida de si e a percepção de sociedade flui para o ralo.
E a economia? Essa vai muito bem, obrigado.
2025 está terminando e tem momentos que parece que mal começou e entender como foi o ano que se encerra é seguir a ideia de que ninguém nunca de fato está realmente satisfeito com nada.
Ou o copo tá meio cheio ou está meio vazio. Não há um meio termo no nosso país hoje, infelizmente.
Entender essa lógica do copo dependerá de como o especialista em copo enxerga o que tem lá dentro. Para uns, tudo está ruim, o país está uma bagunça, caminhando em direção ao fim, seja ele qual for. Ou seja, o copo está meio vazio.
Para outros, a economia está bem. O país cresce, a economia cresce, o emprego também cresce e por aí vai. Ou seja, o copo está meio cheio.
É certo que alguma polarização é sempre esperada no jogo democrático. A oposição de plantão busca, avidamente, algo para criticar enquanto a situação busca, também de forma ávida, algo para ser elogiado.
É sempre assim.
No entanto, essa polarização, que é normal no jogo democrático, está bastante acirrada e quando digo bastante, estou sendo bem discreto. Não existe mais meio termo no Brasil e muito menos dizer que a virtude está na média porque não está mais.
Não há mais diálogo entre as pessoas. Famílias que não se entendem mais do que o normal, amigos que se separam, palavras que devem ser bem pesadas antes de ser ditas e quando ditas podendo gerar tragédias já que o que sobrou do governo anterior foi uma sociedade armada até os dentes.
É mais ou menos assim. Quando não há argumentos, puxa-se o gatilho.
E isso é cada vez mais recorrente em nosso país. Como a falha histórica e estrutural em nosso sistema educacional vem, a cada ano, cobrando um preço cada vez mais alto, faltam argumentos e as balas voam.
Até chegar o dia (espero que logo) que as pessoas irão perceber que não é possível se informar exclusivamente pelo WhatsApp. Por mais que a prima do genro da tia do meu vizinho se declare uma pessoa bem informada.
Se queremos entender o que está acontecendo em nosso país, precisamos nos informar. De forma séria e responsável, diga-se de passagem.
Mas, como já disse aqui algumas vezes, estamos pagando um preço muito alto a cada ano que passa por termos um sistema educacional falho. Tão falho que em alguns momentos aquela máxima que as pessoas fingem que ensinam, os alunos fingem que aprendem e os governo fingem que levam a educação a sério se torna verdadeira.
A verdade é que precisamos, nós, sociedade civil, sentar e conversar sobre que tipo de educação precisamos. Que tipo de reforma do sistema de ensino precisamos, bem diferente de uma reforma do ensino médio que só contribuiu para piorar o que já estava ruim.
Não podemos ficar presos às ideias mirabolantes de pessoas sentadas em poltronas confortáveis em salas refrigeradas tomando decisões sobre o que não entendem e que resultam em mudanças no sistema de ensino que não levam a lugar nenhum a não ser para mais para baixo ou a brigas generalizadas em estádios de futebol.
Quer entender o nosso país? Quer compreender o que está acontecendo? O que está ruim e como melhorar? E melhorar ainda mais o que já funciona bem?
A resposta é simples. Basta entender que Educação não é despesa. É investimento. É resultado. É ganho.
E não números mentirosos que alimentam campanhas políticas cada vez mais desacreditadas.
Recentemente, uma pequena nota no pé da página de um jornal fez com que uma luz se acendesse.
A notícia era simples e ao mesmo tempo, não é.
Se todos nós repararmos, o número de pardais que nos acompanham por toda uma vida vem sendo reduzido sem mesmo que possamos notar. Talvez muitos perceberam isso pela redução do barulho que faziam. Ou mesmo, da sujeira que naturalmente faziam.
Um pássaro que sempre foi um exemplo de algo sem muito valor, sem muita expressão e quando digo valor, considero tanto em relação a um pássaro belo, de penas coloridas, canto mavioso e que por isso não possui outro valor, esse agora comercial. Se pardal fosse um pássaro valioso, com bom preço no mercado, estaria sendo mais bem tratado.
Mas não é. E isso não quer dizer que não valha nada. Vale muito e representa muito e seu lento desaparecimento representa o que estamos fazendo com o meio ambiente.
Agora já escuto gritos daqueles que, sistematicamente, negam a existência de todo e qualquer problema ambiental. Tanto aqueles que negam por total desconhecimento de toda e qualquer coisa, quanto aqueles que negam por puro e simples interesse. Afinal, o que vem movendo o mundo são os interesses. Se há interesse, seja qual for, surgem atitudes, sejam políticas, sejam econômicas.
Muxoxos serão feitos. Afinal, para muitos a natureza se reorganiza. Quando do momento do rompimento da barragem de Mariana, alegaram que o rio Doce com o tempo se refaria, voltando a ter águas menos poluídas. Mesmo que isso possa acontecer, será que nós, seres humanos, poderemos esperar por esse tempo?
Mas, voltemos aos nossos pardais. Uma pesquisa rápida nos informa que seu desaparecimento é fruto do que estamos fazendo com o meio ambiente. Nossas cidades possuem uma quantidade cada vez menor de árvores, de verde, e basta olhar pela janela, aqui mesmo em São Gotardo para verificar que isso é uma triste verdade. O espaço para esses pequenos animais construírem seus ninhos vem sendo reduzido drasticamente.
Quem nunca cobriu com cimento ou qualquer outra coisa, as frestas de suas paredes exatamente para afastar o barulho e sujeira dos pardais?
Usamos pesticidas de forma descontrolada reduzindo a quantidade de insetos, uma fonte de alimentação desses pássaros. Criamos gatos, cachorros, produzimos lixo em abundância e lixo traz consigo muitas coisas, inclusive ratos. E ratos gostam um bocado de um pardalzinho.
Geramos poluição, do ar, sonora, iluminamos em excesso nosso ambiente e, queiramos ou não, provocamos efeitos perversos sobre os pardais.
Muitos poderiam, ao ler essas linhas, perguntar: mas porque isso é importante? Afinal, são apenas pardais e pardal não serve para nada. Pelo contrário, atrapalha.
Se persistimos na nossa pesquisa, iremos descobrir que pardais são conhecidos por serem bioindicadores. Traduzindo em miúdo, o desaparecimento dos pardais é uma prova de que estamos conduzindo mal nossas cidades. A urbanização desenfreada, sem planejamento, sem controle, gerando poluição, gerando caos, mostra que estamos vendo cidades crescerem e, no entanto, esse crescimento é, na verdade, puramente quantitativo. A qualidade de vida vem sendo duramente atingida.
E um sintoma disso é o desaparecimento dos pardais. Enquanto cortamos árvores porque sujam nossos passeios, retiramos o espaço necessário para que esses pequenos pássaros possam viver.
É simples? Não!
Precisamos repensar nosso ambiente de vida. A cidade é nosso ambiente de vida e estamos nela sem pensar do que precisamos. Crescemos desordenadamente.
E quando percebemos isso, será, infelizmente, muto tarde.
Estamos começando mais um ano e, se quisermos resumir o que nos espera, eu diria que não dá para resumir.
Poderíamos dizer que o Brasil vai bem. Agora, o resto do mundo nem tanto!
Os indicadores macroeconômicos estão bem, obrigado. O desemprego está em queda, a inflação sob controle, ou como dizem os técnicos, dentro do centro da meta, a produção industrial está em crescimento, o agro, como sempre, diz que está em crise, mas o que importa é que os preços dos alimentos estão em queda, a renda média do brasileiro está crescendo...
Na verdade, dizer que o Brasil vai totalmente bem seria um pouco de exagero. Alguns números estão bons, como os ditos nas linhas acima. Agora, o endividamento das famílias continua em um percentual elevado, a taxa de juros continua elevada, apesar das expectativas de queda para este ano, o déficit fiscal continua elevado e continuamos sem poder contar com o Congresso Nacional para criar leis ou mecanismos que poderiam ajudar o cidadão brasileiro.
Este, o Congresso, com o sistema de emendas parlamentares como está, se preocupa mais com o que acontece com seu bolso do que com o bem estar do brasileiro, se isolando em Brasília e tornando essa cidade um país autônomo, desligado do resto do Brasil.
Mas, (sempre tem um mas nas histórias....) em 2026 teremos eleições e o nosso país, nosso Estado, nossa cidade, continuam vivendo em um ambiente de forte polarização e provavelmente não teremos um processo eleitoral no qual o ponto central será a questão econômica e sim as eleições serão marcadas por essa polarização.
No lugar de discutirmos endividamento das famílias, é esperado que a discussão gire em torno da questão da anistia para aqueles indivíduos que atentaram contra a tão combalida democracia brasileira. Muitos dirão, no meio das praças, que não é possível viver em uma ditadura no lugar de buscar soluções para a redução da taxa de juros. No lugar de discutir moradia iremos discutir se o esse ou aquele candidato é ou não é desonesto.
Como se diz popularmente, é o que temos para hoje.
E o resto do mundo? Vai mal. Não sabemos como iremos terminar o ano. O cidadão estadunidense colocou no poder um indivíduo que está buscando impedir o inevitável que é o declínio dos Estados Unidos. E nessa busca, o que teremos? Teremos uma corda que está sendo esticada cada vez mais e ninguém, em sã consciência, pode prever o que acontecerá se essa corda arrebentar.
O governo Trump quer, de toda maneira, colocar os Estados Unidos como país dominante no mundo, só que isso não acontecerá mais. Irá anexar a Groelândia de fato? Ou é só bravata? Se acontecer, o que farão os demais países da Europa? O que fará a China? Ou a Rússia?
E que ninguém se iluda achando que estamos em São Gotardo e esses são assuntos muito elevados que não nos atingirão. O acordo Mercosul e União Europeia está em marcha lenta exatamente por causa dos agricultores europeus que sabem que não conseguem competir com o agro brasileiro e aqui, o que seria uma ótima notícia para os produtores de São Gotardo, está devagar, quase parando.
2026 ainda terá muita coisa para nos dizer. Isso considerando somente até o fim do primeiro semestre onde todas as atenções se voltarão para o campeonato mundial de futebol, apesar de que esse mesmo se vê ameaçado por boicotes de seleções europeias.
Enfim, estamos começando o ano. Como terminaremos não sabemos dizer.
Vivemos tempos confusos.
De um lado, o lado econômico, temos boas notícias. Um desemprego em queda, a menor taxa de desemprego em vários anos, crescimento do nível de renda, aumento do consumo, inflação em menor ritmo, o dólar sem oscilações muito grandes. Enfim, em termos de questões macroeconômicas, é possível dizer que o Brasil vai bem.
De outro lado, o lado social, há uma maior confiança do consumidor, o ritmo de crescimento do endividamento familiar não é assustador, pessoas conseguem viajar mais, melhorar seus hábitos de consumo.
De um outro lado, agora o lado político, o Brasil está um pouco confuso. Para uns, a economia brasileira está em frangalhos, nada está funcionando (mesmo que este nada não seja muito preciso...), a corrupção está altíssima, descontrolada, mesmo que as ações da Polícia Federal mostre o contrário.
Se nos atentarmos, em primeiro lugar, a um lado da nossa moeda de três lados, a questão econômica, estamos vivenciando um fato que demonstra que o gasto do governo não é, de forma alguma e como gostam de afirmar alguns analistas econômicos, algo prejudicial à economia. O fato de o governo operar com déficit em seu orçamento não é um problema de fato e sim, soluções que se apresentam à sociedade. Um gasto, como digo sempre, gera emprego, gera renda, gera consumo e gera menor angústia aos indivíduos que sabem que poderão pagar suas contas no final do mês.
Como entender analistas que persistem criticando a condução da política econômica se a economia está crescendo?
Agora, um orçamento equilibrado, ou seja, o governo gastar somente aquilo que arrecada, se torna uma falácia e algo que só funciona em nossas casas e, na verdade, nem sempre isso acontece, senão não teríamos cartões de crédito ou cheque especial ou outro tipo de produto financeiro que os bancos enfiam em nossas goelas abaixo.
Na verdade, não é o déficit do governo que faz os juros subirem e sim os juros que forçam maiores déficits.
Como nossa moeda tem mais dois lados, o lado social e econômico se estabiliza com o crescimento econômico. Consumo, renda, poupança, maiores vendas, menor endividamento e menos sofrimento e menos angústia.
Já o terceiro lado dessa moeda, o lado político, vem se tornando, cada vez mais, um problema insolúvel. Temos um Congresso assustadoramente isolado do resto da população. Brasília se tornou um mundo à parte e a aprovação na Câmara dos Deputados da hoje extinta PEC da blindagem ou mesmo da bandidagem, mostra o quanto nossos estimados representantes na verdade pensem somente em si mesmo. Como pensar em uma proposta de emenda à Constituição que daria passe livre a alguns para que se refastelem em um mar de corrupção dependendo somente de se para que sejam julgados pela justiça.
Além disso, de forma alguma qualquer anistia pacificará o país. Seria o mesmo que pensar que anistiando o ladrão o roubo iria diminuir.
É para lembrarmos do saudoso Stanislaw Ponte Preta e seu Febeapá, ou o Festival de Besteira que Assola o País.
E começamos o mês de outubro com uma boa notícia já que o Congresso aprovou a isenção de imposto de renda para aqueles indivíduos que ganham até cinco mil reais mesmo que alguns comentaristas critiquem essa proposta porque aumentou a alíquota de imposto de renda para os chamados super ricos que, mesmo assim, continuarão super ricos.
Cada vez mais o Brasil, de fato, não é para amadores!
Estamos próximos de um evento que movimenta nossa cidade. Julho é o mês da FENACEN, festa esperada ansiosamente por boa parte da população de São Gotardo.
Se tornou um festival importante para a cidade não só pelas atrações que traz para a cidade, mas principalmente pelo estímulo que gera para a atividade comercial.
Roupas são compradas, salões de beleza se deparam com suas agendas cheias, comércios diversos como sapataria, lanchonetes, restaurantes, hotéis, se deparam com uma forte demanda pelos seus serviços e arrisco a dizer que toda essa atividade não se limita a São Gotardo, mas 'transborda” para outras cidades no entorno.
Todo esse frenesi causado pela FENACEN tem uma lógica que é muito estudada por economistas, administradores, gestores públicos e carrega, formalmente, o nome de efeito multiplicador da renda e do investimento.
É uma lógica muito simples. Quando se anuncia um evento qualquer, com o nome de alguns cantores conhecidos nacionalmente, toda a cidade se movimenta. Lojistas começam a pensar em como montar seus estoques para a época da festa, hotéis se organizam para receber mais hóspedes, restaurantes se preocupam em contratar mais mão de obra para atuar naquele período assim como os comerciantes. Motoristas passam a disponibilizar seus carros para o transporte das pessoas, ambulantes se cadastram na prefeitura e no momento da festa, dentro de seus muros se instalam várias barracas de alimentos e bebidas.
É uma festa não só pela diversão ofertada como também para o comércio.
A cidade toda ganha. Ganha a prefeitura que arrecada mais, cresce o faturamento das atividades comerciais e de serviços.
Esse efeito multiplicador ocorre somente em festas como a FENACEM? A resposta a essa pergunta é não. Ocorre também no natal, no dia de finados, dias dos pais e das mães, namorados, etc, e é por isso que vira e mexe aparece um dia de alguma coisa.
A questão a qual quero chega é a seguinte. É, acredito, claro para todo mundo esse efeito benéfico de festas assim. Mesmo que não se coloque dentro dos termos formais das teorias, todos tem a percepção desses benefícios. A questão aqui, na verdade, é outra.
Esse efeito multiplicador provocado, por exemplo, pela FENACEM, ou FENAMILHO, ou qualquer outra, é na verdade um efeito multiplicador que gera efeitos no curto prazo. Passado o momento da festa, por algum tempo além, esses benefícios perdem força e passa a ser esperada, também de forma ansiosa, a festa que ocorrerá no ano seguinte.
Aqui devemos fazer uma distinção desses acréscimos de investimento e renda gerados pela iniciativa privada em busca de um lucro imediato e os acréscimos de investimentos e renda gerados pelo setor público, sejam as prefeituras, os Estados ou o Governo Federal.
Enquanto os empresários buscam ganhos imediatos, a lógica de uma política de investimento público não se pauta por ganhos imediatos e sim por ganhos de longo prazo. Ao se construir uma rodovia, um hospital, uma escola ou gastos com saneamento básico, iluminação pública, os efeitos desses gastos públicos se tornam de longo prazo, independente se haverá uma grande festa neste ou naquele ano.
Dai a importância dos órgãos públicos em manter políticas fiscais (ou gastos) ativas. Haverá um crescimento na renda e no emprego que não se limitarão a um período específico de uma festa ou um evento e sim perdurará por mais tempo. Podemos pensar em vários exemplos do que estou falando, mas nada melhor do que pensar no projeto PADAP que fez com que São Gotardo se tornasse o que se tornou.
Para isso é necessário que o governo gaste. Antes de admirarmos a China, devemos ver que sem o estado chines, a China não seria o que é hoje.
Ou seja, temos que parar de repetir de forma inconsequente que o governo não pode gastar. Pode e deve. A história nos mostra isso.