Estamos começando mais um ano e, se quisermos resumir o que nos espera, eu diria que não dá para resumir.
Poderíamos dizer que o Brasil vai bem. Agora, o resto do mundo nem tanto!
Os indicadores macroeconômicos estão bem, obrigado. O desemprego está em queda, a inflação sob controle, ou como dizem os técnicos, dentro do centro da meta, a produção industrial está em crescimento, o agro, como sempre, diz que está em crise, mas o que importa é que os preços dos alimentos estão em queda, a renda média do brasileiro está crescendo...
Na verdade, dizer que o Brasil vai totalmente bem seria um pouco de exagero. Alguns números estão bons, como os ditos nas linhas acima. Agora, o endividamento das famílias continua em um percentual elevado, a taxa de juros continua elevada, apesar das expectativas de queda para este ano, o déficit fiscal continua elevado e continuamos sem poder contar com o Congresso Nacional para criar leis ou mecanismos que poderiam ajudar o cidadão brasileiro.
Este, o Congresso, com o sistema de emendas parlamentares como está, se preocupa mais com o que acontece com seu bolso do que com o bem estar do brasileiro, se isolando em Brasília e tornando essa cidade um país autônomo, desligado do resto do Brasil.
Mas, (sempre tem um mas nas histórias....) em 2026 teremos eleições e o nosso país, nosso Estado, nossa cidade, continuam vivendo em um ambiente de forte polarização e provavelmente não teremos um processo eleitoral no qual o ponto central será a questão econômica e sim as eleições serão marcadas por essa polarização.
No lugar de discutirmos endividamento das famílias, é esperado que a discussão gire em torno da questão da anistia para aqueles indivíduos que atentaram contra a tão combalida democracia brasileira. Muitos dirão, no meio das praças, que não é possível viver em uma ditadura no lugar de buscar soluções para a redução da taxa de juros. No lugar de discutir moradia iremos discutir se o esse ou aquele candidato é ou não é desonesto.
Como se diz popularmente, é o que temos para hoje.
E o resto do mundo? Vai mal. Não sabemos como iremos terminar o ano. O cidadão estadunidense colocou no poder um indivíduo que está buscando impedir o inevitável que é o declínio dos Estados Unidos. E nessa busca, o que teremos? Teremos uma corda que está sendo esticada cada vez mais e ninguém, em sã consciência, pode prever o que acontecerá se essa corda arrebentar.
O governo Trump quer, de toda maneira, colocar os Estados Unidos como país dominante no mundo, só que isso não acontecerá mais. Irá anexar a Groelândia de fato? Ou é só bravata? Se acontecer, o que farão os demais países da Europa? O que fará a China? Ou a Rússia?
E que ninguém se iluda achando que estamos em São Gotardo e esses são assuntos muito elevados que não nos atingirão. O acordo Mercosul e União Europeia está em marcha lenta exatamente por causa dos agricultores europeus que sabem que não conseguem competir com o agro brasileiro e aqui, o que seria uma ótima notícia para os produtores de São Gotardo, está devagar, quase parando.
2026 ainda terá muita coisa para nos dizer. Isso considerando somente até o fim do primeiro semestre onde todas as atenções se voltarão para o campeonato mundial de futebol, apesar de que esse mesmo se vê ameaçado por boicotes de seleções europeias.
Enfim, estamos começando o ano. Como terminaremos não sabemos dizer.



