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    Terça, 17 Dezembro 2019 14:00

    Entrevista | Seiji Sekita - prefeito municipal

    Escrito por José Eugênio Rocha

    Perto de concluir seu segundo mandato consecutivo, Seiji Eduardo Sekita já disse a que veio. Atravessou águas turvas nestes recentes anos de recessão(2015 a 2018), de vacas magras. O rigorismo, marca permanente no seu 'jeito de governar' o ajudou a se equilibrar na corda bamba. Nesta passagem para a reta final de seu governo já é possível vislumbrar o seu desfecho.

    Já se vão três anos desde sua última entrevista ao Jornal Daqui. Rompendo este hiato o prefeito de São Gotardo falou à nossa reportagem. Como era de se esperar, faz um apanhado de obras realizadas e de outras em andamento. Destaque-se ainda na presente entrevista, um projeto em curso, que pelo ineditismo pode servir de modelo: a implantação de um loteamento nos moldes de um programa social, onde a prefeitura compra o terreno e as famílias beneficiadas pagam a infraestrutura.

    Veja a entrevista.

    Sobre o projeto 'Olho Vivo', que completou um ano agora em setembro. As empresas contribuíram com os recursos para a instalação dos equipamentos e a Prefeitura assumiu os custos com a manutenção, algo em torno de R$300 mil por ano. Como a Administração vem equacionando esta despesa extra?

    Em 2018 /2019 nós passamos por algumas dificuldades financeiras, então nós tivemos a participação de várias empresas colaborando nos custos de manutenção. Creio que a partir desse ano de 2020, com a normalização da receita - o estado está devolvendo aquilo que deve - a Prefeitura vai poder assumir todas as despesas com a manutenção do Olho vivo. Foi um período muito difícil (2018 /2019), mas já passamos por essa turbulência. Conseguimos passar esta fase, mas com muito rigor nas despesas, mas felizmente, estamos passando essa turbulência.

    Inclusive o senhor está enviando um projeto pro Legislativo, justamente pra regulamentar essa verba, não é isso? 

    É a parte de manutenção dos equipamentos, inclusive, já estamos vendo com a diretoria do COMSEP a questão do pagamento do pessoal. Temos consciência que é responsabilidade do município garantir a total manutenção deste sistema.

    Quanto a área da saúde, um projeto que está praticamente concluído deve tornar São Gotardo um Micro-polo regional . Fale um pouco a respeito.

    Exatamente isso aí. São Gotardo já atende praticamente toda essa micro região. O próprio Estado admite que São Gotardo pode ser polo de nossa micro-região. Conclu-indo esse processo, vamos ter mais recursos pra implantar novos equipamentos, modernizar nosso atendimento. Hoje nós atendemos muitos acidentados perto de campos altos na 262, atendemos ali próximo a Rio Paranaíba, então, nós já atendemos a região, pela própria posição geográfica. Com o reconhecimento do Estado, tornando legalmente a nossa Micro-região, nós vamos poder ter mais recursos, comprando equipamentos mais modernos que possa atender a altura nossa população.

    E a previsão, já é a partir do próximo ano?

    Exatamente; no próximo ano é para ser implantado esse projeto.

    E isso vai possibilitar a implantação de uma UTI neonatal, por exemplo? 

    É um exemplo do que pode ser feito. Poderemos também adquirir um equipamento de Tomografia. Mas onde serão aplicados os recursos ainda vai depender de estudos da Secretaria Municipal de Saúde. Mas de qualquer forma, é realmente uma ampliação de recurso muito grande quando nos tornarmos polo dessa micro-região.

    Com relação as obras em andamentos na Santa Casa. O que o senhor poderia nos adiantar desse projeto?

    As obras de reforma e ampliação da Santa Casa estão sendo feitos totalmente com recursos da comunidade. Vamos ter ampliação de salas, a parte da lavanderia, do refeitório. Toda a reforma do prédio está sendo concluída com recursos da comunidade . Vai ampliar e muito também o área de internamento, o número de leitos.

    Agora sobre as outras obras que estão em andamento, o senhor tem dado uma especial atenção ao meio rural, são várias frentes de ações de obras principalmente melhorando as vias de acesso. Fale um pouco dessa iniciativa.

    Nos países desenvolvidos as estradas rurais são todas asfaltadas, mas isso é até um sonho. Mas se a gente não começar um trabalho, ele nunca se concretiza. Então você precisa não só sonhar mais começar a realizar. Hoje já concluímos praticamente 3 km de pavimentação, do trevo da Coopadap até o final da agrovila. Já temos ai uma grande trecho até Abaete dos Venâncios, e que deve chegar até a comunidade de Abaete dos Venâncios até o ano que vem. O trecho que liga a BR 354 até a comunidade Cerca Velha será pavimentado até o ano que vem. Outro trecho de estrada rural em vias de conclusão passa ao lado do bairro Liberdade até o 'morro do Viquinho', e também o morro próximo ao Rio Funchal, indo pra comunidades de Serrinha, Cruzeiro e Senhora da Serra, já está concluído toda aquela parte mais íngreme. E o quarto trecho, indo pra Vila Funchal, também vamos estar melhorando com asfalto. Isso dá condições pro produtor implantar novos projetos na agricultura, na pecuária, plantio...

    Em relação às obras, no distrito de Guarda dos Ferreiros, hoje uma localidade com muitas demandas, muitos problemas sociais, o que a prefeitura está fazendo para ajuda minimizar esses problemas em Guarda dos Ferreiros?

    O primeiro desafio é o loteamento da família Sr. Juvenal, que não tem infraestrutura. Estamos investindo em projetos de iluminação, drenagem e asfalto, para que possa dar melhoria nas condições daquela população que já reside lá. Vamos também implantar uma escola pra atender mais de 300 crianças, com quadra coberta, etc. Até o ano que vem algumas salas já vão estar liberadas para pessoal começar a trabalhar.

    Falando em loteamento, sabemos que há um déficit habitacional em São Gotardo enorme, e isso é bastante perceptível pelo preço dos alugueis, que é considerado alto. Já faz algum tempo que não temos nenhum projeto social de moradia em São Gotardo. A Prefeitura tem projetos nesse sentido?

    Sim. Nós precisamos do terreno, então é meta nossa já negociarmos a compra esse fim de ano, pagando parte agora e uma parte no ano que vem. Já deve ser concretizado o negócio esse ano ainda. Trata-se de um terreno para implantação de um projeto de habitação, e vai ser passado para a nossa população com um custo muito baixo. Enquanto um lote na cidade custa acima de R$50 mil reais, a família que for contemplada vai pagar em torno de R$10 mil reais, apenas para bancar os custos a infraestrutura. O lote seria praticamente isento de pagamento. Este projeto, que inclui a compra do terreno, vai dar condições de distribuir cerca de 800 lotes às famílias que não têm casa própria.

    A implantação de loteamentos em São Gotardo por iniciativa da administração municipal sempre desconsiderou vários aspectos que no futuro vieram a se tornar dores de cabeça para própria administração. No caso do Boa Esperança, por exemplo, que foi instalado sem redes pluviais, criou-se transtornos e muita despesa para prefeitura. o senhor certamente está ciente dessa necessidade, que esse loteamento tenha toda essa infraestrutura antes que moradores iniciem a construção de suas casas. Correto?

    São Gotardo pagou caro por esses erros do passado. Nós queremos um futuro para nossa cidade onde as famílias possam morar realmente de maneira decente, com toda infraestrutura necessária, drenagem da água pluvial, asfalto, iluminação, área verde... para que realmente tenhamos um bairro a altura da nossa população. Como está sendo negociado ainda a localização, estamos fazendo a avaliação do terreno através de uma comissão de avaliadores e corretores. Só após esta fase é que nós vamos entrar em negociação. Nós não podemos entrar em nenhuma negociação com nenhum empresário de propriedade sem que a gente tenha um valor que juridicamente ou perante a lei possa ter respaldo.

     

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