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    Segunda, 03 Agosto 2026 21:22

    As copas que eu vivi – 1950 e 1958

    Eu tinha dois anos em 1950, mas o “Maracanazzo” foi uma das primeiras coisas que me marcaram em relação às Copas do Mundo. O uruguaio Giggia calou o Maracanã, calou o Brasil ao marcar o gol que deu ao Uruguai a taça de campeão do mundo que nos pertencia. Nós entramos campeões e saímos com o complexo de vira-latas, expressão do cronista Nélson Rodrigues.

    Nossa campanha foi espetacular: 4 vitórias, 1 empate (Suíça 2x2) e apenas a derrota na final (1x2), quando precisávamos de apenas um empate para sermos campeões. Na fase de grupos, goleamos o México: 4 x 0. No quadrangular final, vencemos a Suécia (7 x1) e a Espanha (6 x 1).

    A partida teve o maior público de todas as Copas: 199.854 espectadores otimistas, entre os quais estava meu pai, Clarimundo Soares. O Brasil abriu o placar aos 47 minutos com gol de Friaça. O Uruguai empatou no início do segundo tempo. O empate daria o título do campeonato aos brasileiros. Aos 79 minutos, Ghiggia virou marcou o gol que marcaria para sempre nosso goleiro, Barbosa.

    De 1954, não lembro nada, mas acompanhei a Copa de 1958, pelo rádio e depois pelos vídeos. Foi a Copa que consagrou Pelé, então com 17 anos, e Garrincha, que comentou ao final:

    Já acabou¿ Que torneio mixuruca...

    Fomos campeões invictos: 5 vitórias e 1 empate (0x0 com Inglaterra), com 16 gols marcados e apenas 4 sofridos.

    Just Fontaine, da França, marcou 13 gols e tornou-se o jogador com mais gols numa só Copa. Pelé tornou-se o jogador mais jovem a marcar gol numa Copa.

    Você sabe porque Garrincha jogou com a camisa 11 e Zagallo com a sete, Gilmar com a 3 e Castilho, goleiro reserva, com a 1¿ Não, não foi para confundir os adversários. Quem definiu a numeração foi a FIFA, pois os dirigentes da CBF não se lembraram de enviar os números de nossos jogadores.

    O jogo com a Inglaterra tornou-se o primeiro empate em todas as Copas. Feola, nosso técnico, poupou Garrinha, para evitar o jogo duro da defesa inglesa, Pelé recuperava-se de uma lesão, nosso ataque foi composto Joel e Mazzola. Nossos jogadores acharam que haveria prorrogação...

    A União Soviética era o adversário mais temido, com um futebol científico, mas foi desmontada por Garrinha, que aos 3 minutos marcou, após deixar um rival no chão, já tínhamos chutado duas bolas na trava!

    Pelé se tornou o mais jovem jogador a marcar um gol na Copa do Mundo.

    A final foi contra a Suécia, país sede da copa, que deu ao mundo uma forte demonstração de civilidade, aplaudindo a vitória da nossa seleção.

    Foi a primeira final a ser disputada entre uma equipe europeia e uma sul-americana e a primeira vez que uma equipe europeia não ganhou a Copa disputada na Europa. Os sete gols marcados na final é um recorde.
    (Foto da wikipedia)

    Há um vídeo colorido desta partida na web: «Túnel do Tempo: Final da Copa de 1958 em cores cai na web». UOL. 22 de maio de 2013.

    Teríamos de jogar a final com a camisa azul, compradas pelo chefe da delegação, que mandou bordar o escudo e os números. Para motivar os jogadores, Paulo Machado de Carvalho disse que seriam campeões usando a cor do manto da N. Sra. Aparecida.

    Djalma Santos substituiu De Sordi, contundido, e foi eleito o lateral da Copa.

    Aos 4 minutos, a Suécia abriu o placar. Didi pegou a bola no fundo do gol e a levou até o meio de campo, andando, e acalmou os companheiros. Pelé acertou a trave. Garrinha cruzou e Vavá marcou duas vezes (9' e 32'.). No segundo tempo, Pelé deu um chapéu no marcador e emendou (3x1, 10'). Aos 23 min, Zagallo marcou. Aos 35', a Suécia diminuiu nossa goleada. Pelé marcou aos 45': Brasil 5 x 2.

    Nossa seleção deu a volta olímpica com a bandeira da Suécia, em justa homenagem a nossos leais adversários.

     

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