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    Terça, 27 Janeiro 2026 18:32

    Pode um publicano ser cristão? Pode um Auditor Fiscal ser respeitado?

    São Mateus era um cobrador de impostos, um publicano, quando aceitou o chamado de Jesus para ser um de seus apóstolos. Cobrava impostos e taxas para o Império Romano!

    O Estado Romano estimava quando uma província devia arrecadar e leiloava a cobrança. Portugal fazia o mesmo em suas colônias e tivemos, no Brasil, os contratadores (arrematantes). Este sistema dava margem a muitos abusos. Os publicanos eram odiados por isso e por estar a serviço de um estado estrangeiro.

    Deixar de pagar impostos era uma atitude patriótica.

    Nos evangelhos os cobradores de impostos eram desprezados, nivelados com os pecadores e os pagãos. Na história do Brasil, a cobrança de impostos foi o estopim para as lutas pela independência, sendo indevida a denominação de inconfidentes para os que se levantaram contra Portugal.

    Jesus teve uma atitude inovadora também em relação aos cobradores de impostos: Mateus\Levi foi um dos apóstolos (Mateus 9:9, Marcos 2:13-17 e Lucas 5:27-28) ; comeu na casa de Zaqueu, chefe dos cobradores de impostos em Jericó (Lucas 19:1-10).

    Nas ocasiões em que sou tentado a condenar os outros, lembro-me do Papa Francisco: “Quem sou eu para julgar?” ´

    Eu fui um cobrador de impostos por quase quarenta anos. Em 1976, passei num concurso duríssimo e meu pai, temendo que a perseguição da ditadura impedisse a minha posse, falou com meu primo, José Luiz Borges, então prefeito de São Gotardo e ele recorreu ao deputado Sinval Boaventura. Devo a eles a minha entrada no serviço público.

    A elevação do limite de isenção do Imposto de Renda para R$5.000,00 é resultado de uma longa luta do Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), do qual fui um dos fundadores e atualmente sou o Secretário-Geral. Defendemos sempre um sistema tributário mais justo, menos regressivo.

    Fomos também nós os responsáveis pela criação da Corregedoria do Ministério da Fazenda, tendo lançado a campanha de que “A corrupção é uma via de mão dupla”, para que eventuais desvios de comportamento fossem devidamente apurados e punidos, mas que isso também atingisse os corruptores.

    Na Alfândega, combatemos a entrada de armas, drogas, produtos falsificados, pragas que podem destruir plantações inteiras, entre outras atividades importantes.

    Com a arrecadação dos tributos internos fornecemos o recurso para o funcionamento do Estado, da educação, do sistema de saúde, da segurança, da Justiça...

    Juntos com outros setores do serviço público federal, estadual e municipal, enfrentamos o crime organizado, do que são exemplos as operações “Carbono Oculto” e” Refit”, que desmascarou a gangue dos combustíveis, ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital). As grandes organizações criminosas precisam “lavar” o dinheiro que conseguem com seus crimes e o fazem por meio de sofisticados planejamentos tributários e da criação de empresas de fachada.

    Ninguém gosta de pagar tributos, é verdade, mas é com eles que asseguramos os avanços civilizatórios, essenciais para alcançarmos vida digna para todos e a tão almejada paz social.

    Tenho por isso um justo orgulho de ser Auditor Fiscal.

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