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    Segunda, 10 Agosto 2026 20:26

    O Autismo em São Gotardo

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    O Autismo em São Gotardo Foto: Reprodução.

    Em entrevista exclusiva, a presidente da AMA, Associação Mundo Azul de Apoio e Proteção ao Autista de São Gotardo, Maria Rita Melo, detalha a luta para manter os atendimentos e a necessidade vital de uma parceria mais robusta entre o poder público e a entidade para assegurar a continuidade dos tratamentos.

     Indicadores apontam que centenas de famílias de São Gotardo convivem diariamente com os desafios de lidar com um adulto ou criança portadora do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O Autismo, um dos temas mais urgentes da saúde pública contemporânea, se caracteriza por desafios na comunicação, interação social e padrões de comportamento repetitivos.

    Compreender o transtorno é o primeiro passo. A partir daí, o suporte terapêutico deve ser visto como um direito fundamental. A conscientização coletiva permite que famílias identifiquem sinais precoces e busquem intervenções que garantam autonomia e qualidade de vida aos indivíduos portadores do espectro autista.

    Estima-se que mais de 200 pessoas possuam diagnóstico fechado no município, embora a subnotificação seja uma barreira persistente. Diante da carência de suporte especializado na rede pública, a Associação Mundo Azul de Apoio e Proteção ao Autista de São Gotardo (AMA) tornou-se o principal pilar de assistência no município.

    Em entrevista exclusiva, a presidente da entidade, Maria Rita Melo, detalha a luta para manter os atendimentos e a necessidade vital de uma parceria mais robusta entre o poder público e a entidade para assegurar a continuidade dos tratamentos.

    A entrevista revela que o diagnóstico precoce, muitas vezes possível ainda no primeiro ano de vida, é o divisor de águas para o desenvolvimento de habilidades funcionais. Maria Rita compartilha a experiência vivida pelas famílias e a importância de encarar o "filho real" em vez do idealizado, focando em suas potencialidades. Além disso, o texto aborda a necessidade de suporte financeiro estável, uma vez que a manutenção de terapias especializadas exige recursos constantes que nem sempre chegam com a agilidade necessária.

    A convivência entre pais e a troca de experiências práticas também são destacadas como ferramentas poderosas para mitigar crises sensoriais e melhorar o cotidiano doméstico.

    A partir desses eixos, a reportagem a seguir explora a fundo a incidência do autismo no município, as iniciativas de atendimento da AMA e os obstáculos para que a saúde pública assuma seu papel de parceira direta nesse desafio. Veja os principais tópicos abordados na entrevista:


    São Gotardo busca ampliar rede de apoio e diagnóstico para autistas

    A incidência do autismo em São Gotardo tem mobilizado famílias e instituições em busca de maior visibilidade e suporte terapêutico. Com um universo estimado em mais de 200 pessoas laudadas, o município enfrenta o desafio de estruturar uma rede de atendimento capaz de suprir a demanda crescente, hoje concentrada majoritariamente no trabalho da Associação Mundo Azul de Apoio e Proteção ao Autista de São Gotardo (AMA).

    O papel da AMA e a experiência pessoal

    A presidente da AMA, Maria Rita, iniciou sua trajetória na causa após o diagnóstico da filha, hoje com oito anos. Segundo a dirigente, o impacto da notícia gera um "luto pelo filho idealizado", mas a aceitação rápida é crucial para o sucesso do tratamento. A associação surgiu da união de pais que enfrentavam a solidão do diagnóstico e hoje oferece terapias essenciais, como fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional. Atualmente, a entidade sobrevive por meio de recursos do Fundo da Infância e da Adolescência (FIA), subvenções da Secretaria Municipal de Assistência Social e emendas impositivas da Câmara Municipal.

    Subnotificação e desafios do diagnóstico

    Embora os registros oficiais apontem cerca de 200 casos, Maria Rita acredita que o número real seja significativamente superior. A rede municipal de educação contabiliza 140 laudos, enquanto a AMA possui mais de 100. A subnotificação é atribuída à dificuldade de acesso a neuropediatras na rede pública, o que impede o fechamento de diagnósticos, especialmente em adolescentes e adultos. A presidente ressalta que o laudo é fundamental não apenas para o tratamento, mas para garantir o acesso a direitos assegurados por lei.

    Sinais de alerta e intervenção precoce

    A especialista enfatiza que o autismo pode ser identificado ainda no primeiro ano de vida. Sinais como transtornos do sono, ausência de contato visual durante a amamentação, falta de atenção compartilhada e comportamentos repetitivos (como bater a cabeça) são indicadores importantes. "Quanto mais cedo começar a terapia, melhor o resultado. O objetivo é tornar a criança o mais funcional e independente possível na vida adulta", afirma Maria Rita. Ela destaca que o tratamento trabalha habilidades básicas, como obedecer a comandos simples, que servirão de base para aprendizados complexos no futuro.

    Convivência e suporte familiar

    A troca de experiências entre famílias é apontada como um fator de transformação na qualidade de vida dos autistas. Maria Rita relata que muitas soluções para crises sensoriais — comuns devido à hipersensibilidade a sons ou toques — são aprendidas em grupos de apoio. A compreensão de que o autismo é um espectro com diferentes níveis de suporte (1, 2 e 3) ajuda a sociedade a lidar com a literalidade e a necessidade de rotina rígida dos pacientes, reduzindo episódios de desregulação.

    Saúde pública e sustentabilidade financeira

    Um dos pontos críticos abordados é a relação entre a AMA e o poder público municipal. Atualmente, não há atendimento especializado para autismo via Sistema Único de Saúde (SUS) em São Gotardo, o que sobrecarrega a associação. Maria Rita aponta uma defasagem de profissionais no mercado e dificuldades financeiras, já que a estrutura da AMA custa cerca de R$ 40 mil mensais. A presidente reivindica que a Secretaria Municipal de Saúde estabeleça uma subvenção direta e contínua, evitando interrupções nas terapias durante os primeiros meses do ano, quando os recursos de emendas ainda não foram liberados.

    autismo01Em sessão ordinária do Poder legislativo no início deste mês, a presidente da AMA, Maria Rita Melo, ocupou a Tribuna para propor à presidência da Câmara e aos parlamentares a realização de uma Audiência Pública para discutir sobre a incidência do Autismo em São Gotardo e seus desafios. A proposta recebeu amplo apoio da Casa legislativa.

     

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