Convenhamos não ser tarefa fácil se distinguir entre as centenas de Joãos ou Josés ou Antônios pela cidade. Nessa multidão de nomes comuns, o apelido tem lá o seu requinte, sua singularidade. Um caso exemplar deste eficiente recurso de identificação é o nosso entrevistado de hoje, o João Batista Alves. Quase impossível ganhar identidade própria com nome tão genérico assim.
Para sair deste labirinto de Joãos, ele ganhou de presente dos amigos de infância o apelido de 'Bolinha', e a partir daí, se tornou único, não mais um João qualquer.
Bolinha é um guerreiro, que já rodou meio mundo e saiu intacto. Ele preserva ainda nos dias hoje, ao lado de sua família e dos amigos todos os dons que Deus que deu, e que tivemos o prazer de conhecer e publicar nesta página.
A primeira pergunta, claro, é saber o seu nome de verdade, aquele registrado em cartório. Meu nome mesmo é João Batista Alves Júnior. Ninguém me conhece por esse nome, não é?
Agora, perguntar quem é o Bolinha despachante...? Aí, é outra história, a maioria me conhece pelo apelido.
A gente tem observado que o apelido é até um fator positivo para a pessoa, para identifica-la, principalmente nos negócios, não é isso? Assim, o apelido tem essa vantagem. Com certeza que tem, porque muitas vezes, quando a gente presta um serviço para alguém de fora da cidade, informavam: "Ah, procura o João Batista despachante, mas aí, ninguém conhecia para prestar a informação; não sei onde que é isso não, diziam, já procurei e não acha.” Então eu falei "Põe Bolinha despachante, aqui do cargueiro... Então é um fator positivo, e eu acho muito bom ser conhecido pelo meu apelido.
Pois é, você tem ideia de como surgiu o apelido? Eu tinha uns nove anos de idade e era meio gordinho; eu nasci em Januária, mas meu pai era aqui do Gordura(Vila Funchal) e minha mãe é do Varjão, então nos mudamos aqui pro Cargueiro(hoje, bairro Nossa Senhora de Fátima), e naquele tempo tinha o tal do Clube do Bolinha, só para meninos. Mas não tem nada a ver com o Bolinha não, é porque ele é gordo mesmo, sempre forte, aí foi onde pegou o apelido de Bolinha.
Mas a gente comentando, o apelido acompanha toda a trajetória de uma vida e acaba virando uma marca registrada. E essa marca te acompanhou a vida inteira, correto? Mas fala pra gente um pouco dessa sua trajetória de vida até chegar nos dias de hoje. Eu trabalhei com o César na Casa de Construção, aí era o 'Bolinha lá do material de Construção'. Depois fui trabalhar na prefeitura como motorista de ambulância, 'Aí, era o Bolinha da prefeitura'. Depois, eu virei caminhoneiro, transportando verdura Brasil afora, aí era o 'Bolinha caminhoneiro'...
Até chegar no momento de hoje, exercendo a profissão de Despachante, uma referência aqui em São Gotardo. Graças a Deus. Aí, passei a ser conhecido como 'Bolinha despachante'. O apelido carrega a gente, se bom ou ruim, carrega.
Você é casado, tem filho? Sou casado com a Célia, ela trabalha na Sparta Diesel, temos duas filhas, a Stéfani e a Júnia, e uma netinha, a Maria Cecília. Bom demais, graças a Deus.



