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    Segunda, 31 Agosto 2026 21:24

    Ceramista de São Gotardo lança livro "Corpo-pote”

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    Ceramista de São Gotardo lança livro "Corpo-pote” Foto: Reprodução.

    A ceramista Flávia Soares, natural de São Gotardo, lançou recentemente o livro "Corpo-pote". Um exemplar da obra, enviado especialmente pela artista, já está disponível na biblioteca municipal da cidade.

    Hoje nome de referência no cenário estadual e nacional, Flávia teve trabalhos expostos em grandes galerias, como o espaço Fiat, em Belo Horizonte. Ao lado dos dois filhos, Luíza Soares e Daniel Romeiro, mantém endereço fixo em Contagem, onde trabalha e expõe suas obras no 'Ateliê de Cerâmica'.

    Nascida e criada em São Gotardo, na região do entorno do Rio Borrachudo, Flávia viveu em São Gotardo até os 20 anos, cercada pelo contraste de cerrado e floresta. Foi na capital que teve o primeiro contato com a cerâmica, quando uma professora levou à sala de aula um colete de pecinhas de cerâmica unidas por elos de metal. "Fiquei encantada com a variedade de cores e nuances daquele material. Naquele exato momento decidi que iria fazer cerâmica", lembra.

    A ligação com o território ganha agora novo sentido. Recentemente, foi encontrado na região um artefato cerâmico da cultura indígena de tradição Aratu-Sapucaí, de agricultores sedentarizados que produziam peças de cerâmica nas proximidades de matas fluviais. Para a artista, o retorno a São Gotardo, um retorno "subjetivo e arqueológico", ressignifica o percurso e faz lembrar que "o destino é a origem".

    "Foi inesperado porque eu não tinha consciência de que guardava uma relação tão forte com aquele território. Estou redescobrindo pela memória os elementos daquele local e, agora, quero redescobri-los também na prática", afirma.

    A história do ateliê começou em 2002, quando a então designer de interiores decidiu se dedicar ao aprendizado da fabricação artesanal de cerâmicas. A capacitação da fundadora foi acompanhada de perto pelos filhos, que, trilhando caminhos profissionais afins, encontraram no espaço da mãe um lugar para o amadurecimento profissional e criativo. Desde 2012, os três ceramistas se desafiam em um processo cotidiano de aprendizado em contato com o barro.

    "A construção do meu espaço de trabalho surgiu quando me vi provocada a criar também objetos como vasos e adornos para jardins. A cerâmica era o potente material que eu acabara de conhecer", conta Flávia.

    Sobre o processo criativo, a artista afirma ter uma relação de respeito com o material. "Não me cobro um determinado resultado. Faz parte da minha prática observar o acontecimento, as respostas da argila aos meus estímulos", diz, destacando as marcas e intercorrências incorporadas à sua linguagem.

    O livro "Corpo-pote", de Flávia Soares, está disponível para consulta na biblioteca municipal de São Gotardo, com exemplar doado pela artista.

     

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