Vereador, funcionário público e morador do bairro São Geraldo há 52 anos, João Wilson viu o apelido nascer em 2001, quando batizou o bar que construiu com as próprias mãos.
A inspiração veio de uma lanchonete em Brasília, nos anos 1990, e o nome pegou de vez quando o sobrinho, na época, estava dando pirraça. "Aí eu lembrei: 'Ah, vai ser Pirraça'. Aí pegou", conta.
O nome de batismo é João Wilson de Camargo. Mas, em São Gotardo, no Alto Paranaíba, quem tentar encontrá-lo pelo registro civil vai ouvir um riso discreto e a correção na hora: "Aqui é João Pirraça. Com muito orgulho." Aos 52 anos, o vereador e funcionário público carrega um apelido que nasceu em uma lanchonete de Brasília, foi registrado em um bar construído com as próprias mãos e hoje substitui o nome de registro em grupos de WhatsApp, na Câmara e na fila do pão.
A história começa em 1994. João Wilson morava em Brasília e, nos fins de semana, saía para espairecer depois da lida pesada. Foi numa dessas que ele entrou na Lanchonete Pirraça. O nome diferente ficou guardado na memória. Em 1995, voltou para São Gotardo. Seis anos depois, em 2001, começou a construir o próprio bar — com as próprias mãos, ajuda do irmão e da irmã, e o suor de quem trabalhava de servente e pedreiro durante o dia.
O bar ainda não tinha nome. Era "Bar do João", "Bar do Joãozinho", nada que empolgasse. Até que o sobrinho começou a dar pirraça. Naquele instante, a lembrança da lanchonete brasiliense voltou. "Ah, vai ser Pirraça", decidiu. O nome fantasia pegou, o bar virou ponto de referência e, de quebra, batizou o dono. "Vinculou o meu nome com o bar. E todo mundo me chama: 'Ô, Pirraça!', me marca no grupo, é @pirraça", conta.
Hoje, João Wilson admite que o apelido também combina com o jeito de trabalhar. "Quando a gente não consegue as coisas, a gente vai lá e dá pirraça para ver se consegue", brinca. Na prática, a "pirraça" virou recurso político: cobrar o Executivo, buscar demandas da população e fazer a ponte entre quem precisa e quem pode atender. "Uma criança, se ela não der uma pirraça, ela não consegue muito as coisas não", compara, entre o sério e o bem-humorado.
Natural do bairro São Geraldo, onde vive há 52 anos, Pirraça construiu a popularidade desde a escola. Foram três tentativas até se eleger vereador — e a cada eleição os votos aumentavam. Antes da vida pública, passou em concurso em 2012 e trabalhou como motorista na Assistência Social, na Educação e, por três anos, na linha da ADEFISG e da APAE. "Aumentou essa bagagem de humanização", diz.
Casado, pai de família e ainda morando perto do bairro onde cresceu, Pirraça resume o sentimento com uma frase simples: "Carrego ele [o apelido] com muito carinho. E a população também tem um carinho muito grande pela pessoa da gente.”



