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    Terça, 20 Agosto 2019 15:04

    O choro de Rodrigo Maia

    Escrito por Leonardo Camisassa

    Em meado do mês anterior, mais precisamente no dia 11, a Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a proposta base da reforma da previdência. A vitória foi, como se disse muito, acachapante. A grande maioria dos 513 deputados votou favoravelmente pela aprovação da reforma.

    Muito já foi dito a respeito da reforma da previdência e muito ainda será dito. O pior é que, além de ser somente dito, muito ainda será sofrido no futuro quando a grande maioria da população brasileira começar a sentir no corpo e no bolso os impactos perversos dessa reforma.

    Nesse momento cabe aqui pensarmos em quem perdeu e quem ganhou com essa reforma.

    Quem perdeu, ou melhor, quem perderá seremos nós. Nós trabalhadores que teremos um horizonte sombrio ao pensarmos em nossa aposentadoria depois de uma vida inteira de trabalho. Mais tempo de trabalho, menor valor do benefício, mais regras impeditivas e limitadoras para a obtenção desse tão sonhado benefício. E estou falando somente de aposentadoria.

    Agora, quem ganhou ou ganhará com essa aprovação?

    Em primeiro lugar e já posso escutar as gargalhadas de felicidade, o sistema financeiro. A redução do gasto com o sistema previdenciário será totalmente absorvida pela banca financeira e tolo daquele que acredita que essa redução de gastos irá gerar investimentos do governo que irão estimular a produção e o emprego. Não caiam nessa peça de ficção, por favor.

    Em segundo lugar, ganha o governo federal, mas será um ganho relativo. O principal argumento a favor da reforma se fundamenta no déficit público e todo o esforço de convencimento se baseia no fato que a reforma trará capacidade de investimento por parte do governo. Com a reforma o país poderá voltar a crescer, esse é o argumento.

    Mas porque um ganho relativo? Aprovada a reforma o governo federal ficará exposto e será fortemente cobrado pela volta do crescimento econômico e como será quando isso não acontecer? É a velha história do telhado de vidro.

    E quem de fato ganha? O Congresso e, principalmente, Rodrigo Maia, que costurou todo o processo de aprovação dessa reforma na Câmara dos Deputados. Uma questão que se coloca nesse momento é se teremos um parlamentarismo escondido ou, visto por um outro lado, o atual presidente se tornou realmente uma rainha da Inglaterra, ou seja, governa sem ter poder?

    Tudo leva a crer que sim.

    É claro que se pode afirmar que houve a interferência do Poder Executivo nessa aprovação principalmente com a liberação de um caminhão enorme de dinheiro para, literalmente, comprar o voto dos deputados. É o velho mensalão que, em um passado recente, indignou muita gente de bem e que dessa vez foi totalmente tolerada.

    Mais uma vez percebemos o quanto nós, brasileiros, estamos apáticos.

    Uma nova realidade começa a se abrir a nossos olhos. O presidente se transforma, cada vez mais, em uma figura exótica que se limitará a aumentar a lista do festival de besteira que assola nosso país, acreditando que governa pelo Twitter sendo sempre apoiado pelos tresloucados de sempre.

    Caberá a ele se prender a questões periféricas para a vida do brasileiro e será a nossa Geni a quem jogaremos as pedras. As questões mais sérias ficarão por conta dos adultos.

    Aqui podemos perceber o quanto o poder político vem se isolando do povo brasileiro. Ficou muito claro com essa aprovação da reforma que Brasília se tornou um mundo à parte. O Congresso Nacional vive, não em função dos brasileiros que o elegeu como seus representantes e sim em função de si mesmo. As suas prioridades não são as necessidades do cidadão brasileiro e sim os seus próprios interesses que, na verdade, são os interesses daqueles que os financiaram para que possam estar lá. Está mais para se locupletarem todos do que para se restaurar a moralidade.

    Daí podemos entender o choro do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

    Foi um choro que explicita o poder, que mostra a emoção de quem, a partir de agora, determinará os rumos do Brasil. De quem tem o Congresso na palma da mão e poderá tirar do governo federal a quantidade de dinheiro que quiser.

    Com certeza o nosso choro não será de alegria.

     

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