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    Sábado, 23 Novembro 2019 15:00

    Nós merecemos

    Escrito por Edson Carlos

    São lindas, cheirosas, agradáveis, aliviam o incômodo do calor, entram com sua quota na produção de chuvas, controlam o clima, as estações, preservam as nascentes, acolhem os passarinhos, dão flores, frutos. E outras coisas.

    Há cidades que não valorizam. Você anda pelas ruas, avenidas, praças, e só vê casas, prédios, asfalto, cimento. Procura, no mormaço do sol do meio-dia, alguma sombra para estacionar seu carro. Não encontra. O jeito é conformar-se com o aquecimento global. Quando voltar, daí uma hora ou duas, encontrará um calor de mais de 40 graus. Ao entrar, parece que entrou numa churrasqueira.

    Mas São Gotardo não é assim. Aos poucos, ruas, praças, avenidas vão se enchendo de resedás, quaresmeiras, calistemos, espirradeiras, jacarandás mimosos, ipês de todas as cores. Quando florescem, são uma festa para os olhos. Ao redor, sente-se o perfume que espalham, pedindo para serem cheiradas e amadas. Com temperaturas altas, num céu sem nuvens, com o sol a todo gás, nada melhor do que uma sombra debaixo de uma árvore.

    Morar numa cidade assim é um luxo para as pessoas que nela circulam em seus veículos ou a pé. Uma prova de que elas merecem, pois árvores só existem se há quem as plante, regue, adube, pode, cuide e proteja. Se a população as adotar. Isso demora mais do que para construir um prédio.

    Uma cidade arborizada serve também – como uma espécie de benéfico efeito colateral – de exemplo para outras e para o mundo. Porque a grande demanda de nosso tempo é de árvores. Há um apelo coletivo e universal para que, não só salvemos nossas matas, a floresta amazônica, nossas pequenas reservas nas fazendas e nos sítios, mas para que plantemos mais. A cultura de desmatar, derrubar, limpar o terreno, normal há meio século, está mudando, mas há muito ainda que avançar.

    Sabemos hoje, graças à ciência mas também aos nossos avós, que antigamente chovia muito, o frio exigia blusas o dia inteiro, a água jorrava da terra em abundância. Apesar de não existir meteorologia, o roceiro sabia bem quando São Pedro ia abrir as torneirinhas. Em agosto preparava a terra para o plantio, aproveitando as primeiras chuvas. Colhia o milho verde em novembro, fazia pamonha no natal, enquanto as águas caíam dia e noite. Começavam em outubro, davam uma paradinha em janeiro para o recesso do veranico, voltavam de novo e seguiam até a cheia de São José, em 19 de março. Nascia olho d´água por todo lado, para a alegria das crianças. O corguinho Confusão virava um rio, o Borrachudo ficava perigoso para atravessar. O Indaiá então, nem se fala.

    Não é difícil saber disso. Os jovens, que já nasceram no seco e com aquecimento global, não sabem. Mas podem ficar sabendo com os avós. São eles, os jovens, os maiores interessados em preservar o ambiente, uma vez que têm muito futuro. Semear árvores é uma forma de garantir um ambiente fresco, bom para plantas e pessoas. Podem começar adotando uma árvore.

    Que significa adotar uma árvore? Primeiramente, cuidar dela. Conhecer suas necessidades, que são poucas e simples, fáceis de satisfazer: água, adubo, poda da forma correta, proibido randape (round up), e mais nada. E ficar amigo dela de verdade, olhando-a, curtindo a sua sombra, estacionando o seu carro, sentindo o seu perfume.

    Quanto às folhas que caem no chão, não fique xingando, dizendo que é sujeira. Olhe para elas como se fossem um tapete para você passar. Melhor folhas do que vidro, copos plásticos, latas, tampas de refri, e outros objetos inadequadamente descartados. As folhas são da Natureza. É só varrê-las, vendo nelas apenas o que são: folhas. Que vão se dissolver na terra, virar adubo, para alimentar novas plantas, que vão produzir flores e frutos. Fazem parte do ciclo.

    Os patrocinadores de nossas árvores são as empresas, que aderem cada vez mais à idéia, e a Prefeitura, através da Leidiane, secretária do Meio Ambiente. Mas há também pessoas como a Maristela Prados, que ajudou a tornar agradável a rua Major Olímpio Franco, uma ruinha que num só quarteirão conta com 19 árvores lindas porque todos os moradores as adotaram. E como o Luís Sérgio Soares e irmãos, que criaram uma forma carinhosa de homenagear pessoas queridas da família: plantar árvores em volta da casa onde mora dona Adélia e em outros lugares.

    Como diz um ditado de muita sabedoria: crie um filho, escreva um livro e plante uma árvore. Se você não pôde fazer os dois primeiros, faça o último. Já pensou São Gotardo com 30.000 novas árvores? Nosso oásis ficará melhor ainda. Boas mudas você encontra no Proman e no Viveiro do Cerrado.

     

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