
Em alguns momentos, creio, perdemos um pouco a noção das coisas.
É fato que economia e política andam sempre de mãos dadas. Não se pode falar de política sem pensar na questão econômica e também não podemos pensar em fazer política econômica sem pensar no jogo político.
Essa deveria ser uma questão resolvida na cabeça de todos nós, mas, infelizmente, não é o que acontece.
Seria a mesma coisa que discutir táticas a serem adotadas em um jogo de futebol e ignorar o papel da bola nesse jogo.
E sempre que nos aproximamos de um período eleitoral essa discussão volta à baila. Afinal, perguntam todos, que tipo de políticos queremos?
Se pensarmos somente no poder executivo, presidente, governadores e prefeitos, uma acirrada discussão tem início e a velha pergunta volta para nos assombrar, como que um espírito que vaga solitário.
O governador deve ser um bom gestor, bradam alguns. Assim como o prefeito, complementam outros. A resposta para isso é, ao mesmo tempo, uma resposta simples e ao mesmo tempo, não é.
Tem que ser um bom gestor? Não necessariamente, mas tem que ter alguma ideia de gestão também. Mesmo que se compare, de forma errônea devo acrescentar, a gestão de um Estado ou de uma cidade à gestão de uma empresa ou das nossas casas, a ideia é simples. O chefe do poder executivo, mesmo tendo noções de gestor, tem que saber delegar e delegar significa escolher para ter ao seu lado, pessoas que de fato sejam gestores.
Traduzindo em miúdos, o prefeito deve ser cercado por secretários eficientes assim como os governadores. Mas... (em qualquer tragicomédia, tem sempre um mas...)
Como escolher sua equipe de gestão? Essa escolha é sim, um ato político e deve envolver todo o espectro político que permitiu a eleição do governador ou do prefeito. Aí a política existe e faz muita falta se for ignorada.
Qual rua devo asfaltar? Qual praça devo revitalizar? Em que local devo inaugurar um novo posto de saúde? Onde se faz mais necessário um reforço policial? Porque algumas regiões de uma cidade têm melhor infraestrutura urbana do que outra?
São decisões técnicas? São. Mas antes de tudo são decisões políticas.
E como levar a cabo estas decisões que são políticas? Discutindo em praça pública? Debates em redes sociais? Não é assim tão fácil.
Em primeiro lugar, vivemos em uma democracia representativa. Mesmo que essas escolhas sejam debatidas na base da sociedade (e é muito importante que sejam) a palavra final será dos representantes que foram escolhidos através do voto popular e em um mundo ideal essa palavra final deveria ser aquela que representa os interesses da população que, é fato, escolheu estes representantes.
Isso funciona sempre? Infelizmente não. E é fácil entender isso. Basta que tomemos como exemplo a atual Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Nunca se viu, na história republicana brasileira, um Congresso Nacional tão afastado e tão dissociado dos interesses da população brasileira. Anistia, PEC da blindagem, discussões que somente refletem interesses individuais que se concentram nas famigeradas bancadas. Da bala, do boi, da Bíblia, do jogo, disso e daquilo, todas buscando trazer sua sardinha para as melhores brasas.
Estamos vivendo um momento surreal na política brasileira. Vivemos um tempo de Murici, onde cada um cuida de si e a percepção de sociedade flui para o ralo.
E a economia? Essa vai muito bem, obrigado.
2025 está terminando e tem momentos que parece que mal começou e entender como foi o ano que se encerra é seguir a ideia de que ninguém nunca de fato está realmente satisfeito com nada.
Ou o copo tá meio cheio ou está meio vazio. Não há um meio termo no nosso país hoje, infelizmente.
Entender essa lógica do copo dependerá de como o especialista em copo enxerga o que tem lá dentro. Para uns, tudo está ruim, o país está uma bagunça, caminhando em direção ao fim, seja ele qual for. Ou seja, o copo está meio vazio.
Para outros, a economia está bem. O país cresce, a economia cresce, o emprego também cresce e por aí vai. Ou seja, o copo está meio cheio.
É certo que alguma polarização é sempre esperada no jogo democrático. A oposição de plantão busca, avidamente, algo para criticar enquanto a situação busca, também de forma ávida, algo para ser elogiado.
É sempre assim.
No entanto, essa polarização, que é normal no jogo democrático, está bastante acirrada e quando digo bastante, estou sendo bem discreto. Não existe mais meio termo no Brasil e muito menos dizer que a virtude está na média porque não está mais.
Não há mais diálogo entre as pessoas. Famílias que não se entendem mais do que o normal, amigos que se separam, palavras que devem ser bem pesadas antes de ser ditas e quando ditas podendo gerar tragédias já que o que sobrou do governo anterior foi uma sociedade armada até os dentes.
É mais ou menos assim. Quando não há argumentos, puxa-se o gatilho.
E isso é cada vez mais recorrente em nosso país. Como a falha histórica e estrutural em nosso sistema educacional vem, a cada ano, cobrando um preço cada vez mais alto, faltam argumentos e as balas voam.
Até chegar o dia (espero que logo) que as pessoas irão perceber que não é possível se informar exclusivamente pelo WhatsApp. Por mais que a prima do genro da tia do meu vizinho se declare uma pessoa bem informada.
Se queremos entender o que está acontecendo em nosso país, precisamos nos informar. De forma séria e responsável, diga-se de passagem.
Mas, como já disse aqui algumas vezes, estamos pagando um preço muito alto a cada ano que passa por termos um sistema educacional falho. Tão falho que em alguns momentos aquela máxima que as pessoas fingem que ensinam, os alunos fingem que aprendem e os governo fingem que levam a educação a sério se torna verdadeira.
A verdade é que precisamos, nós, sociedade civil, sentar e conversar sobre que tipo de educação precisamos. Que tipo de reforma do sistema de ensino precisamos, bem diferente de uma reforma do ensino médio que só contribuiu para piorar o que já estava ruim.
Não podemos ficar presos às ideias mirabolantes de pessoas sentadas em poltronas confortáveis em salas refrigeradas tomando decisões sobre o que não entendem e que resultam em mudanças no sistema de ensino que não levam a lugar nenhum a não ser para mais para baixo ou a brigas generalizadas em estádios de futebol.
Quer entender o nosso país? Quer compreender o que está acontecendo? O que está ruim e como melhorar? E melhorar ainda mais o que já funciona bem?
A resposta é simples. Basta entender que Educação não é despesa. É investimento. É resultado. É ganho.
E não números mentirosos que alimentam campanhas políticas cada vez mais desacreditadas.
Recentemente, uma pequena nota no pé da página de um jornal fez com que uma luz se acendesse.
A notícia era simples e ao mesmo tempo, não é.
Se todos nós repararmos, o número de pardais que nos acompanham por toda uma vida vem sendo reduzido sem mesmo que possamos notar. Talvez muitos perceberam isso pela redução do barulho que faziam. Ou mesmo, da sujeira que naturalmente faziam.
Um pássaro que sempre foi um exemplo de algo sem muito valor, sem muita expressão e quando digo valor, considero tanto em relação a um pássaro belo, de penas coloridas, canto mavioso e que por isso não possui outro valor, esse agora comercial. Se pardal fosse um pássaro valioso, com bom preço no mercado, estaria sendo mais bem tratado.
Mas não é. E isso não quer dizer que não valha nada. Vale muito e representa muito e seu lento desaparecimento representa o que estamos fazendo com o meio ambiente.
Agora já escuto gritos daqueles que, sistematicamente, negam a existência de todo e qualquer problema ambiental. Tanto aqueles que negam por total desconhecimento de toda e qualquer coisa, quanto aqueles que negam por puro e simples interesse. Afinal, o que vem movendo o mundo são os interesses. Se há interesse, seja qual for, surgem atitudes, sejam políticas, sejam econômicas.
Muxoxos serão feitos. Afinal, para muitos a natureza se reorganiza. Quando do momento do rompimento da barragem de Mariana, alegaram que o rio Doce com o tempo se refaria, voltando a ter águas menos poluídas. Mesmo que isso possa acontecer, será que nós, seres humanos, poderemos esperar por esse tempo?
Mas, voltemos aos nossos pardais. Uma pesquisa rápida nos informa que seu desaparecimento é fruto do que estamos fazendo com o meio ambiente. Nossas cidades possuem uma quantidade cada vez menor de árvores, de verde, e basta olhar pela janela, aqui mesmo em São Gotardo para verificar que isso é uma triste verdade. O espaço para esses pequenos animais construírem seus ninhos vem sendo reduzido drasticamente.
Quem nunca cobriu com cimento ou qualquer outra coisa, as frestas de suas paredes exatamente para afastar o barulho e sujeira dos pardais?
Usamos pesticidas de forma descontrolada reduzindo a quantidade de insetos, uma fonte de alimentação desses pássaros. Criamos gatos, cachorros, produzimos lixo em abundância e lixo traz consigo muitas coisas, inclusive ratos. E ratos gostam um bocado de um pardalzinho.
Geramos poluição, do ar, sonora, iluminamos em excesso nosso ambiente e, queiramos ou não, provocamos efeitos perversos sobre os pardais.
Muitos poderiam, ao ler essas linhas, perguntar: mas porque isso é importante? Afinal, são apenas pardais e pardal não serve para nada. Pelo contrário, atrapalha.
Se persistimos na nossa pesquisa, iremos descobrir que pardais são conhecidos por serem bioindicadores. Traduzindo em miúdo, o desaparecimento dos pardais é uma prova de que estamos conduzindo mal nossas cidades. A urbanização desenfreada, sem planejamento, sem controle, gerando poluição, gerando caos, mostra que estamos vendo cidades crescerem e, no entanto, esse crescimento é, na verdade, puramente quantitativo. A qualidade de vida vem sendo duramente atingida.
E um sintoma disso é o desaparecimento dos pardais. Enquanto cortamos árvores porque sujam nossos passeios, retiramos o espaço necessário para que esses pequenos pássaros possam viver.
É simples? Não!
Precisamos repensar nosso ambiente de vida. A cidade é nosso ambiente de vida e estamos nela sem pensar do que precisamos. Crescemos desordenadamente.
E quando percebemos isso, será, infelizmente, muto tarde.
Estamos começando mais um ano e, se quisermos resumir o que nos espera, eu diria que não dá para resumir.
Poderíamos dizer que o Brasil vai bem. Agora, o resto do mundo nem tanto!
Os indicadores macroeconômicos estão bem, obrigado. O desemprego está em queda, a inflação sob controle, ou como dizem os técnicos, dentro do centro da meta, a produção industrial está em crescimento, o agro, como sempre, diz que está em crise, mas o que importa é que os preços dos alimentos estão em queda, a renda média do brasileiro está crescendo...
Na verdade, dizer que o Brasil vai totalmente bem seria um pouco de exagero. Alguns números estão bons, como os ditos nas linhas acima. Agora, o endividamento das famílias continua em um percentual elevado, a taxa de juros continua elevada, apesar das expectativas de queda para este ano, o déficit fiscal continua elevado e continuamos sem poder contar com o Congresso Nacional para criar leis ou mecanismos que poderiam ajudar o cidadão brasileiro.
Este, o Congresso, com o sistema de emendas parlamentares como está, se preocupa mais com o que acontece com seu bolso do que com o bem estar do brasileiro, se isolando em Brasília e tornando essa cidade um país autônomo, desligado do resto do Brasil.
Mas, (sempre tem um mas nas histórias....) em 2026 teremos eleições e o nosso país, nosso Estado, nossa cidade, continuam vivendo em um ambiente de forte polarização e provavelmente não teremos um processo eleitoral no qual o ponto central será a questão econômica e sim as eleições serão marcadas por essa polarização.
No lugar de discutirmos endividamento das famílias, é esperado que a discussão gire em torno da questão da anistia para aqueles indivíduos que atentaram contra a tão combalida democracia brasileira. Muitos dirão, no meio das praças, que não é possível viver em uma ditadura no lugar de buscar soluções para a redução da taxa de juros. No lugar de discutir moradia iremos discutir se o esse ou aquele candidato é ou não é desonesto.
Como se diz popularmente, é o que temos para hoje.
E o resto do mundo? Vai mal. Não sabemos como iremos terminar o ano. O cidadão estadunidense colocou no poder um indivíduo que está buscando impedir o inevitável que é o declínio dos Estados Unidos. E nessa busca, o que teremos? Teremos uma corda que está sendo esticada cada vez mais e ninguém, em sã consciência, pode prever o que acontecerá se essa corda arrebentar.
O governo Trump quer, de toda maneira, colocar os Estados Unidos como país dominante no mundo, só que isso não acontecerá mais. Irá anexar a Groelândia de fato? Ou é só bravata? Se acontecer, o que farão os demais países da Europa? O que fará a China? Ou a Rússia?
E que ninguém se iluda achando que estamos em São Gotardo e esses são assuntos muito elevados que não nos atingirão. O acordo Mercosul e União Europeia está em marcha lenta exatamente por causa dos agricultores europeus que sabem que não conseguem competir com o agro brasileiro e aqui, o que seria uma ótima notícia para os produtores de São Gotardo, está devagar, quase parando.
2026 ainda terá muita coisa para nos dizer. Isso considerando somente até o fim do primeiro semestre onde todas as atenções se voltarão para o campeonato mundial de futebol, apesar de que esse mesmo se vê ameaçado por boicotes de seleções europeias.
Enfim, estamos começando o ano. Como terminaremos não sabemos dizer.
Vivemos tempos confusos.
De um lado, o lado econômico, temos boas notícias. Um desemprego em queda, a menor taxa de desemprego em vários anos, crescimento do nível de renda, aumento do consumo, inflação em menor ritmo, o dólar sem oscilações muito grandes. Enfim, em termos de questões macroeconômicas, é possível dizer que o Brasil vai bem.
De outro lado, o lado social, há uma maior confiança do consumidor, o ritmo de crescimento do endividamento familiar não é assustador, pessoas conseguem viajar mais, melhorar seus hábitos de consumo.
De um outro lado, agora o lado político, o Brasil está um pouco confuso. Para uns, a economia brasileira está em frangalhos, nada está funcionando (mesmo que este nada não seja muito preciso...), a corrupção está altíssima, descontrolada, mesmo que as ações da Polícia Federal mostre o contrário.
Se nos atentarmos, em primeiro lugar, a um lado da nossa moeda de três lados, a questão econômica, estamos vivenciando um fato que demonstra que o gasto do governo não é, de forma alguma e como gostam de afirmar alguns analistas econômicos, algo prejudicial à economia. O fato de o governo operar com déficit em seu orçamento não é um problema de fato e sim, soluções que se apresentam à sociedade. Um gasto, como digo sempre, gera emprego, gera renda, gera consumo e gera menor angústia aos indivíduos que sabem que poderão pagar suas contas no final do mês.
Como entender analistas que persistem criticando a condução da política econômica se a economia está crescendo?
Agora, um orçamento equilibrado, ou seja, o governo gastar somente aquilo que arrecada, se torna uma falácia e algo que só funciona em nossas casas e, na verdade, nem sempre isso acontece, senão não teríamos cartões de crédito ou cheque especial ou outro tipo de produto financeiro que os bancos enfiam em nossas goelas abaixo.
Na verdade, não é o déficit do governo que faz os juros subirem e sim os juros que forçam maiores déficits.
Como nossa moeda tem mais dois lados, o lado social e econômico se estabiliza com o crescimento econômico. Consumo, renda, poupança, maiores vendas, menor endividamento e menos sofrimento e menos angústia.
Já o terceiro lado dessa moeda, o lado político, vem se tornando, cada vez mais, um problema insolúvel. Temos um Congresso assustadoramente isolado do resto da população. Brasília se tornou um mundo à parte e a aprovação na Câmara dos Deputados da hoje extinta PEC da blindagem ou mesmo da bandidagem, mostra o quanto nossos estimados representantes na verdade pensem somente em si mesmo. Como pensar em uma proposta de emenda à Constituição que daria passe livre a alguns para que se refastelem em um mar de corrupção dependendo somente de se para que sejam julgados pela justiça.
Além disso, de forma alguma qualquer anistia pacificará o país. Seria o mesmo que pensar que anistiando o ladrão o roubo iria diminuir.
É para lembrarmos do saudoso Stanislaw Ponte Preta e seu Febeapá, ou o Festival de Besteira que Assola o País.
E começamos o mês de outubro com uma boa notícia já que o Congresso aprovou a isenção de imposto de renda para aqueles indivíduos que ganham até cinco mil reais mesmo que alguns comentaristas critiquem essa proposta porque aumentou a alíquota de imposto de renda para os chamados super ricos que, mesmo assim, continuarão super ricos.
Cada vez mais o Brasil, de fato, não é para amadores!
Estamos próximos de um evento que movimenta nossa cidade. Julho é o mês da FENACEN, festa esperada ansiosamente por boa parte da população de São Gotardo.
Se tornou um festival importante para a cidade não só pelas atrações que traz para a cidade, mas principalmente pelo estímulo que gera para a atividade comercial.
Roupas são compradas, salões de beleza se deparam com suas agendas cheias, comércios diversos como sapataria, lanchonetes, restaurantes, hotéis, se deparam com uma forte demanda pelos seus serviços e arrisco a dizer que toda essa atividade não se limita a São Gotardo, mas 'transborda” para outras cidades no entorno.
Todo esse frenesi causado pela FENACEN tem uma lógica que é muito estudada por economistas, administradores, gestores públicos e carrega, formalmente, o nome de efeito multiplicador da renda e do investimento.
É uma lógica muito simples. Quando se anuncia um evento qualquer, com o nome de alguns cantores conhecidos nacionalmente, toda a cidade se movimenta. Lojistas começam a pensar em como montar seus estoques para a época da festa, hotéis se organizam para receber mais hóspedes, restaurantes se preocupam em contratar mais mão de obra para atuar naquele período assim como os comerciantes. Motoristas passam a disponibilizar seus carros para o transporte das pessoas, ambulantes se cadastram na prefeitura e no momento da festa, dentro de seus muros se instalam várias barracas de alimentos e bebidas.
É uma festa não só pela diversão ofertada como também para o comércio.
A cidade toda ganha. Ganha a prefeitura que arrecada mais, cresce o faturamento das atividades comerciais e de serviços.
Esse efeito multiplicador ocorre somente em festas como a FENACEM? A resposta a essa pergunta é não. Ocorre também no natal, no dia de finados, dias dos pais e das mães, namorados, etc, e é por isso que vira e mexe aparece um dia de alguma coisa.
A questão a qual quero chega é a seguinte. É, acredito, claro para todo mundo esse efeito benéfico de festas assim. Mesmo que não se coloque dentro dos termos formais das teorias, todos tem a percepção desses benefícios. A questão aqui, na verdade, é outra.
Esse efeito multiplicador provocado, por exemplo, pela FENACEM, ou FENAMILHO, ou qualquer outra, é na verdade um efeito multiplicador que gera efeitos no curto prazo. Passado o momento da festa, por algum tempo além, esses benefícios perdem força e passa a ser esperada, também de forma ansiosa, a festa que ocorrerá no ano seguinte.
Aqui devemos fazer uma distinção desses acréscimos de investimento e renda gerados pela iniciativa privada em busca de um lucro imediato e os acréscimos de investimentos e renda gerados pelo setor público, sejam as prefeituras, os Estados ou o Governo Federal.
Enquanto os empresários buscam ganhos imediatos, a lógica de uma política de investimento público não se pauta por ganhos imediatos e sim por ganhos de longo prazo. Ao se construir uma rodovia, um hospital, uma escola ou gastos com saneamento básico, iluminação pública, os efeitos desses gastos públicos se tornam de longo prazo, independente se haverá uma grande festa neste ou naquele ano.
Dai a importância dos órgãos públicos em manter políticas fiscais (ou gastos) ativas. Haverá um crescimento na renda e no emprego que não se limitarão a um período específico de uma festa ou um evento e sim perdurará por mais tempo. Podemos pensar em vários exemplos do que estou falando, mas nada melhor do que pensar no projeto PADAP que fez com que São Gotardo se tornasse o que se tornou.
Para isso é necessário que o governo gaste. Antes de admirarmos a China, devemos ver que sem o estado chines, a China não seria o que é hoje.
Ou seja, temos que parar de repetir de forma inconsequente que o governo não pode gastar. Pode e deve. A história nos mostra isso.
Tem momentos em que um simples ditado, aqueles que resumem a vida em poucas palavras, tem uma enorme veracidade. Estou falando daquele que diz que o tempo voa e essa é uma verdade incontestável, afinal estamos já em julho e passamos da metade do ano de 2025.
Tantas coisas acontecem ao mesmo tempo que acabamos não percebendo o tempo passar. O mundo está cada vez mais envolvido em conflitos, guerras e intolerâncias.
Intolerâncias religiosas, políticas, guerra da Rússia e Ucrânia que se arrasta sem muitas perspectivas de solução e, mais recentemente, Israel resolveu atacar o Irã que, obviamente, respondeu ao ataque. E, como não poderia deixar de acontecer, o governo americano resolveu colocar o dedo nesta ferida atacando, por sua vez, o Irã.
Onde toda essa confusão irá parar? Ninguém sabe. O conflito irá caminhar para uma guerra mais ampla? Os envolvidos irão sentar e negociar? Qualquer coisa que se diga a esse respeito será mera especulação. A única coisa que sabemos é que ninguém sabe como vai acabar.
E, diante de um contexto incerto como esse, o que podemos fazer é tocar nossa vida fazendo valer aquela máxima que diz “vamos deixar tudo como está para ver como que fica” ou, como diz Lampeduza, “é preciso que tudo mude, para que tudo permaneça como e´”.
E nossa vida vem sendo marcada por algumas boas notícias.
Recentemente o IBGE divulgou alguns números interessantes a respeito do mercado de trabalho divulgados pela última PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua).
A taxa de desocupação caiu 6,2% no trimestre que se encerrou em maio e esse não é um número qualquer porque representa a menor taxa de desocupação nos últimos 13 anos. O número de trabalhadores com carteira assinada atingiu o patamar de 39,8 milhões de pessoas.
Ao mesmo tempo, acompanhado o crescimento da taxa de emprego, a massa de rendimentos também vem apresentando crescimento, atingindo a marca de R$354,6 bilhões de reais, número esse que representa um crescimento de 1,8% em relação ao trimestre anterior (janeiro, fevereiro e março) e um crescimento de 5,8% em termos anuais. O rendimento médio mensal atingiu o montante de R$3.457,00 significando um crescimento de 3,1% em relação ao mesmo período de 2024.
Outro ponto interessante apontado pela PNAD foi a redução da informalidade (37,8%) atingindo cerca de 39 milhões de pessoas. Parte da explicação desse número está no fato de que o número de trabalhadores sem carteira assinada ficou estabilizado em 13 milhões de pessoas e também ocorreu um aumento do número de trabalhadores por conta própria.
Agora, um número que deve ser aplaudido foi o que mostra a redução do número de desalentados que caiu para 2,89 milhões de pessoas. Desalentados são aqueles indivíduos que, diante de um mercado de trabalho enfraquecido, desistem de procurar emprego e passam a viver de 'bicos” e trabalhos esporádicos.
E quais foram os setores que puxaram esse crescimento do mercado de trabalho? Praticamente todos. Digo praticamente porque o único setor que apresentou queda na taxa de emprego foi agricultura e pesca que perderam 307 mil postos de trabalho (-3,9%). Os demais setores, indústria, serviços, atividades financeiras, transportes e outros apresentaram aumentos no número de pessoas contratadas.
São boas notícias de fato. Crescem as vendas, o comércio se alegra, a indústria se dinamiza e por aí vai.
E vamos tocando o barco. O mar está tranquilo e o céu é de brigadeiro? Não. De fato, não. Mas sempre é interessante dar um bom primeiro passo.
O mês que se encerrou foi, no mínimo conturbado.
Começamos o mês de julho com a notícia que governo estadunidense decidiu impor uma taxa de 50% sobre as transações comerciais entre Brasil e Estados Unidos sob a alegação, incorreta, diga-se de passagem, de que haveria um superavit comercial a favor do Brasil contra os Estados Unidos.
Incorreta pelo fato de que, na verdade, existe um déficit do Brasil nas relações comerciais entre os dois países, o que significa que o Brasil compra uma quantidade maior de mercadorias dos Estados Unidos do que é capaz de vender para o povo americano. E, considerando o que vendemos e o que compramos, vendemos uma quantidade maior de produtos primários e compramos uma quantidade relativamente pequena de produtos industrializados, gerando um desequilíbrio na Balança Comercial em favor dos Estados Unidos.
Foi colocado na imprensa, em função de uma carta enviada pelo presidente americano que a imposição desta tarifa passa pela extinção do processo no Supremo Tribunal Federal das ações contra o ex-presidente pela tentativa de golpe de Estado.
Existem várias nuances em todo este imbróglio.
Como podemos descartar a questão do superávit brasileiro contra o Estados Unidos, resta pensar a questão da anistia que está sendo exigida pelos Estados Unidos, o que não me parece ser o foco principal da questão, e pensar a questão colocada pelo fortalecimento dos BRICS e o esforço de substituir a moeda americana, o dólar, como moeda de troca internacional por transações comercias entre países do BRICS realizadas por moedas destes mesmos países.
Estamos vivendo, na verdade, um período interessante, no qual podemos perceber que um império vem perdendo força e luta desesperadamente para se manter vivo e para não perder o principal instrumento de poder que é a moeda. Perdendo este instrumento restará outro, mais perigoso, que são as armas o que permite a vários analistas afirmarem que no fim de tudo, haverá guerra.
É o que a história nos mostra!
O fato é que julho foi um mês, como dizem os mais jovens, “punk”!
Todo um discurso nacionalista foi acionado. O governo federal passou a verificar números favoráveis e crescentes nas pesquisas de opinião pública. A oposição, meio desnorteada, começou a defender de forma atabalhoada a imposição das tarifas para depois perceber o caminho sem volta que estava trilhando.
De tudo um pouco. Muito se diz que vivemos em uma ditadura o que, é fato, não é verdade. Vivemos em uma democracia liberal, com eleições livres, alternância de poder, partidos políticos atuantes e liberdade de expressão. Mas, em uma disputa eleitoral que já começou, vale tudo. O que nos resta fazer é separar o joio do trigo.
Sob uma alegação de perseguição política, a carta do presidente dos Estados Unidos mostra claramente uma ação meio que desesperada de manutenção de um status quo, tipo vamos mudar tudo para tudo continuar como era.
A soberania de um país passa pela sua moeda e nisto resume todas as medidas adotadas pelo presidente Trump desde que assumir o governo no início deste ano. Medidas contra a China, Europa, países da América do Sul, Ásia, ou seja, tiros dados para todos os lados. Um ambiente de terror implantando entre migrantes de todo o mundo que buscam melhores sorte no território norte-americano.
E em algum momento chegaria a nós, Brasil, país considerando de extrema importância na América do Sul. E chegou. Que sejam pelas justificativas políticas, pelas bravatas de indivíduos que de lá apregoam serem responsáveis pelas medidas contra o Brasil, o fato é que por trás de tudo estão ações e fortalecimento dos BRICS.
A América do Sul já não é mais o quintal do tamanho que era no passado. Mesmo que seja ainda um quintal, agora é um pouco menor e que irá diminuir ainda mais ao abandonar o dólar como unidade de conta internacional.
Isto acontecerá de fato? Sim, acontecerá. Difícil é precisar quando, mas por isso é bom estudar um pouco de história.
Estamos, isto sim, vivendo tempos interessantes.
Sem querer falar sobre um tema que já tratamos aqui em vários momentos, mas, reconheço, estarei me repetindo, vamos pensar em uma lógica que para muitos chega a ser próxima de escandalosa.
Estou me referindo aqui à necessidade da ocorrência de gastos públicos, ou pensarmos nas prefeituras, nos Estados e na União gastando dinheiro realizando obras públicas.
Mesmo sabendo que é um assunto mais do que pisado e sim, repisado, acho estranho quando vejo economistas, gestores, analistas, jornalistas, palpiteiros e outros mais gritando aos quatro ventos que não se deve gastar ou se o gasto é necessário que seja um gasto responsável. Dai algumas questões tornam-se relevantes. A primeira, por exemplo, o que seria um gasto responsável? Segunda, por que não gastar (pensando aqui nos órgãos públicos) e mesmo assim, por que sempre que se fala em gasto se compara com o comportamento familiar no qual educadores financeiros apregoam a todos os ventos a necessidade de economizar, de guardar dinheiro, de não gastar e por aí vai.
São várias as maneiras de enxergar o mesmo problema. Não afirmo aqui que a poupança não é necessária. Muito pelo contrário. Caso os indivíduos e mesmo as empresas tenham necessidade de adquirir bens, a poupança se torna um caminho para se atingir um objetivo proposto. Pensando em termos macroeconômicos, a geração de poupança será o ponto de partida para a realização de investimentos, considerando aqui que os recursos poupados serão investidos no mercado financeiro e estas instituições, os bancos, se encarregarão de agir como fonte de repasse dos recursos poupados para os agentes chamados de deficitários.
A lógica é simples. Eu poupo, coloco meu parco dinheirinho no Banco, o Banco por sua vez empresta meu dinheiro para alguém e esse alguém irá investir esses recursos onde lhe for mais necessário.
É o momento de perdermos o sono por saber que meu dinheiro anda por aí nas mãos desconhecidas? Obvio que não! O sistema financeiro funciona assim aqui e no resto do mundo. O dinheiro poupado volta para o circuito produtivo dessa forma permitindo que os novos investimentos gerem mais empregos, mais renda e por sua vez, mais poupança. O mundo gira.
Agora, quando pensamos no governo, fica um pouco diferente. Se nos são cobrados impostos, esse dinheiro sai da circulação do consumo e fica esterilizado nos cofres desse governo. Se a carga tributária aumentar, aumenta o montante dos impostos recolhidos e se a alíquota dos impostos é aumentada, da mesma forma aumenta o volume dos recursos parados nas mãos do governo.
Assim, esse dinheiro deve voltar para nós na forma de gastos públicos. Escolas, estradas, saneamento básico, segurança pública, etc.
Nesse momento alguém levanta aos berros dizendo não ser contra o gasto e sim ao déficit público que acontece quando o governo gasta mais do que arrecada. Temos que gastar com responsabilidade, alguém continua gritando e completa dizendo “lá em casa eu faço assim.” “Não gasto o que não tenho”.
Qual a resposta lógica? E daí? Você não emite moeda e nem arrecada impostos. Só os paga.
Essa é a grande diferença. A existência de um déficit não é um problema. Todos os países do mundo têm déficit e não há ninguém estarrecido por isso. Todos elogiam a China, mas esquece de afirmar que esse país vem crescendo com gastos expressivos do governo e um déficit público perfeitamente administrado.
Esse é ponto. Quando se associa o déficit a uma taxa de juros “criminosa” temos o Brasil. E não adianta dizer que os juros altos são consequência do déficit. Seria mais fácil entender que o déficit é consequência dos juros e não o contrário.
Irresponsável não é o gasto e sim, transferir bilhões todos os anos para a banca financeira e usar o déficit como desculpa.
Uma ideia que sempre carrego comigo é que para entender economia não é necessário ser nenhum gênio voltado para pensamentos herméticos e esotéricos.
Muitos estudiosos da economia se especializam em teorizar uma ciência utilizando-se ferramentas que, para muitos, são inacessíveis. Usa-se matemática em excesso como uma forma de demonstrar uma ideia e esse uso da matemática é de tal forma que antes de ser economista, uma pessoa precisa ser especialista em matemática.
Alguns preferem, inclusive, adotar argumentos que, se levarmos ao pé da letra, acharemos que, se não entendermos o que foi dito, a culpa será, fatalmente, das estrelas.
A verdade é que por mais que possa parecer, entender economia não é tão difícil assim e para começarmos a pensar melhor, temos que partir de um principio que afirma que existem pessoas que produzem alguma coisa e pessoas que consomem alguma coisa.
Mesmo essa distinção não deve e não é, rígida. Aquela pessoa que produz também consome ao mesmo tempo que uma pessoa que consome também produz alguma coisa.
Quem produziu precisa vender para alguém que precisa daquilo que foi produzido. Se alguém produziu sapatos deverá, portanto, vender esses sapatos para alguém que esteja precisando de sapatos. E para que essa venda ocorra é necessário que os produtos sejam trocados e para a ocorrência das trocas é necessário a existência de um elemento que realize a equivalência dos valores dos produtos, ou seja, o homem inventa o que nós conhecemos por dinheiro.
O dinheiro e sua unidade de referência, a moeda, agiliza as trocas permitindo que as empresas vendam os seus produtos e que os consumidores encontrem o que precisa nas prateleiras das lojas comerciais.
Assim, começamos a entender esse processo. As mercadorias produzidas devem circular, devem ser vendidas e compradas e, a cada produto, um preço. Preços esses que podem ser alterados se uma mercadoria é abundante ou escassa.
Diante disso, começamos a pensar em questões mais complexas. As pessoas precisam trabalhar para obter o dinheiro que precisam para comprar os objetos que necessitam. Para que todos tenham emprego, a economia deve girar, ou seja, as mercadorias devem ser oferecidas a alguém e esse alguém deve compra-la. Se as mercadorias não giram, não ocorrem novas produções e não há mais trabalho para as pessoas.
A questão se resume, então, em fazer as mercadorias circularem e ao mesmo tempo que as empresas que as produzem disputam a preferência daqueles que consomem com outros produtores, ou seja, é necessário que haja concorrência.
Entramos aqui em uma área que se torna bem polêmica. É possível que os preços subam nessa circulação? A resposta é sim já que existe um lapso de tempo entre a chegada de novas mercadorias nas prateleiras das lojas e a vontade ou necessidade dos indivíduos em comprá-las.
Assim, teremos inflação. O que vem sendo feito pelo Banco Central do Brasil para controlar a inflação? Joga-se a taxa de juros para cima gerando uma retração na circulação das mercadorias, reduzindo o número de vagas de empregos oferecidas pelas empresas já que ganhar dinheiro no mercado financeiro sem correr muitos riscos é algo bem tentador.
É preciso aumentar o nível de emprego para evitar uma corrosão na estrutura social do país? É, com certeza. Mas para isso se faz necessário sempre manter estimulada a circulação de mercadorias e é isso que o governo federal vem fazendo quando aumenta os seus gastos.
A cada vez que o governo gasta algum dinheiro compra alguma coisa de alguém que, para vender para o governo precisou produzir e, portanto, contratar alguém para produzir. Se aumentarmos os juros o governo não compra, as empresas não produzem e o emprego não cresce.
Portanto, temos que parar de achar que o governo gastar é uma heresia. Gastar não é o problema e gastar mais do que recebe também não é um problema. O problema é onde o governo gasta. Se gasta pagando juros para a banca financeira, aí sim, é um problema.
Cada centavo que vai para os cofres do sistema financeiro é um centavo a menos que utilizamos para comprar alguma coisa.
Simples assim.