Para o nosso entrevistado desta edição, o nome de registro em cartório só tem serventia mesmo na hora de assinar um documento, e só. "Ninguém sabe quem é Francisco Ribeiro, me chamam de Chico Mamona", conta o radialista, que há quase 30 anos ocupa as cabines de rádio da região. O apelido nasceu de uma Kombi verde, uma frutaria sem nome e um dos acidentes mais marcantes da história da música brasileira.
Nascido no Córrego do Retiro, nos terrenos chamados Dona Arminda, Chico Mamona passou parte da infância no município de Matutina antes de voltar para São Gotardo. "Eu sou de o todo mundo", responde, quando perguntado se se considera são-gotardense. E foi na cidade que ele construiu a história que virou memória e, por fim, marca registrada.
Tudo começou com uma Kombi verde, sempre cheia de melancia, abacaxi e verdura, vendida de porta em porta. A Kombi velha vivia sempre com as portas abertas, e virava abrigo quando a chuva apertava. "Eles nem pediam carona, que eu estava andando devagar, já entravam dentro da Kombi", lembra, rindo. Numa dessas, um grupo de 20 evangélicos se abrigou do temporal dentro do veículo, e a aventura virou história contada até hoje.
Mas o apelido só veio depois. Cansado da rua, Chico montou uma frutaria na Capelinha, sem nome, sem placa, com as verduras da roça empilhadas em caixas de madeira. Foi nesse dia que a televisão da frutaria anunciou a morte dos Mamonas Assassinas, na Serra da Cantareira. Uma freguesa perguntou de quem era o comércio. "É do Chico, Chico", respondeu outra. E ela completou, misturando a notícia com o nome: "Ah, é do Chico. Chico Mamona, Mamona."
Aí estava o batismo. "Eu pensei: o que que eu vou fazer? Vou colocar aqui Frutaria Mamonas. Coloquei lá Frutaria Mamona e assim foi", conta. A frutaria acabou, mas o nome ficou — e virou marca registrada. "Não tem como tirar mais, não existe jeito", diz. Hoje, até para consertar uma televisão ele é atendido como Chico Mamona, e o nome de batismo ficou no papel.
O dom de comunicar, no entanto, veio antes da rádio. Ainda na Kombi, Chico já anunciava pelas ruas: "A senhora aí no portão, pode chegar para cá, tem verdura boa de primeira qualidade". Depois, a corneta virou microfone. Começou em uma rádio "pirata" da época, passou pela 98, pela Positiva e chegou à Rádio Alvorada, onde está há cerca de 15 anos. "Eu acho que eu sou um dos locutores mais velhos aqui da região", resume.
A seção "Que apelido é esse?" é uma publicação do Jornal Daqui. Quer sugerir um personagem? Mande sua indicação pela redação.



