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    Sexta, 02 Outubro 2026 20:54

    Mulheres no Comércio - Um novo olhar para quem faz a diferença | Dona Ordália e suas filhas, Perpétua e Tânia

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    Mulheres no Comércio - Um novo olhar para quem faz a diferença | Dona Ordália e suas filhas, Perpétua e Tânia Foto: Reprodução.

    Dona Ordália e suas filhas, Perpétua e Tânia

    O comércio de São Gotardo tem nome, história e, acima de tudo, rosto de mulher. Seja no balcão, no caixa ou na administração, a presença feminina é predominante nos estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços da cidade — e o que se vê por trás desse atendimento que conquista o cliente vai muito além da técnica: é escuta atenta, paciência, sensibilidade e aquele cuidado de quem sabe acolher gente.

    É exatamente essa força que o Jornal Daqui quer enaltecer com a seção 'Mulheres no comércio', espaço mensal dedicado a valorizar e dar destaque à mulher no setor comercial de São Gotardo. A cada edição, apresentamos histórias de dedicação, competência e amor pelo trabalho, virtudes que transformam um simples atendimento em uma experiência memorável.

    E nesta terceira edição, a seção ganha um capítulo que é uma história viva da cidade: três mulheres de uma mesma família, unidas pelo sangue e pelo balcão. Dona Ordália, hoje com 90 anos, e suas filhas Perpétua e Tânia são as protagonistas desta edição de setembro.

    A trajetória começa em uma época em que poucas mulheres ousavam empreender. Aos 19 anos, ainda solteira, Dona Ordália resolveu montar uma loja de confecções no centro de São Gotardo. Em uma cidade pequena, naquela época, não era fácil: buscar mercadoria, criar um nome, fazer o fornecedor acreditar em uma jovem comerciante. Mas ela enfrentou tudo com coragem e determinação — e foi ela quem introduziu o comércio na família, tanto que o marido, depois, foi quem a seguiu para dentro da loja.

    O espírito empreendedor, aliás, nasceu cedo. Aos 16 anos, Dona Ordália saiu da escola para aprender a costurar e bordar — e vendeu uma vaca para comprar a primeira máquina de costura, que conserva até hoje. Daquele gesto de coragem, nasceu uma vida inteira dedicada ao trabalho: "Toda a vida eu não tive medo de enfrentar os desafios ", resume ela, com a simplicidade de quem construiu tudo com as próprias mãos.

    Mas a dedicação de Dona Ordália não se limitou ao balcão. Mãe de família, ela enfrentou a dupla jornada que tantas mulheres conhecem bem: cuidar da casa, dos filhos e da loja ao mesmo tempo. Em uma época sem grandes estruturas de apoio, ela se desdobrava — fazia o almoço, a janta, ficava até tarde no estabelecimento e, muitas vezes, chegava a fechar a loja de madrugada para organizar as mercadorias que chegavam para os clientes do dia seguinte. Um esforço que ela mesma resume com orgulho: "Enquanto eles eram pequenos, eu passei muito trabalho, mas nunca deixei de dar conta."

    Hoje aposentada, Dona Ordália continua em atividade — do jeito dela. Faz peças para a loja, prepara doces e comidas, e ainda aparece no estabelecimento "só para fiscalizar se as filhas estão trabalhando direitinho", como brinca Tânia. O descanso, para ela, nunca foi opção: o trabalho é parte da sua essência.

    E foi essa essência que ela transmitiu às filhas. Perpétua e Tânia cresceram dentro da loja — Tânia lembra com carinho do tempo em que, pequena, adorava ir ao estabelecimento para sentar no banco e acompanhar a mãe. Hoje, as duas dão continuidade ao legado, administrando duas lojas no centro de São Gotardo, em ponto nobre da cidade. O nome da família virou referência: falou em "loja da Dona Ordália", todo mundo conhece.

    O que impressiona nessa história é o valor que vai muito além do dinheiro. Ao longo de décadas, mãe e filhas construíram uma credibilidade rara — inclusive fora da cidade, em São Paulo e outras praças, onde deixaram fornecedores que, até hoje, confiam na palavra da família. Quando o pai faleceu, Perpétua lembra que um fornecedor lhe entregou um cartão com um recado que resume tudo: "Seu pai não era um cliente, era um amigo. O que você precisar, pode me ligar." Essa é a riqueza que elas mais prezam: o nome, a amizade, o respeito conquistado a cada atendimento.

    E qual seria o segredo para conquistar o cliente? Dona Ordália responde com a sabedoria de quem passou a vida inteira atrás do balcão: "O segredo é tratar bem, receber bem. Procurar ser justo, fazer preço bom, trabalhar com transparência. O cliente, na verdade, é que manda, e o cliente tem razão." Perpétua completa: "A gente também é cliente de outra loja. Se você atende bem, ele volta. E a propaganda é a alma do negócio."

    É essa filosofia que faz da família uma referência que atravessa gerações — hoje, são os filhos e netos dos antigos clientes que pedem para ir "na loja da Dona Ordália". Mãe e filhas provam, a cada dia, que o comércio feito por mulheres tem um toque diferenciado: o de receber, conversar e cuidar. Um legado de coragem, dedicação e carinho que honra o passado, sustenta o presente e inspira o futuro do comércio de São Gotardo.

     

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