É um equívoco afirmar que obras executadas abaixo da superfície não são reconhecidas como relevantes pela população— argumento que, em parte, explica o desinteresse demonstrado por diferentes gestões municipais de São Gotardo, ao longo das últimas décadas, em investir na implantação de redes pluviais. Hoje, cerca de 70% da área urbana permanece sem estrutura adequada para canalizar a água das chuvas, índice que evidencia a dimensão do problema.
As consequências dessa omissão são sentidas todos os anos. Moradores convivem com enxurradas que descem em alta velocidade pelas ruas, abrindo crateras, provocando erosões e comprometendo a mobilidade urbana. A própria prefeitura, por sua vez, é obrigada a destinar milhões de reais, ano após ano, para reparar os danos causados pelas enxurradas.
Em uma cidade marcada por declives acentuados, como São Gotardo, as enxurradas ganham força extra, ampliando o risco de acidentes graves — inclusive com morte, como já registrado —, além de episódios de carros e motos arrastados pela correnteza e de transbordamentos no Córrego do Confusão.
A partir de uma iniciativa da atual administração municipal, pela primeira vez na história do município, essa dívida estrutural está próxima de ser quitada. O montante destinado ao projeto é expressivo: segundo o plano atualmente em andamento, serão aplicados R$ 95 milhões na execução de duas frentes de obra fundamentais para o perímetro urbano: 37 quilômetros de redes pluviais e outros 37 quilômetros de pavimentação asfáltica.
Os recursos já estão garantidos e disponíveis em conta, conforme anunciado recentemente pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em pronunciamento ao lado do prefeito Makoto Sekita. A verba foi autorizada por meio do Programa de Revitalização de Recursos Hídricos e integra o conjunto de ações do Novo PAC, do Governo Federal.
Veja o que disse o prefeito e seu vice sobre o projeto:
O Jornal Daqui conversou com o Prefeito Makoto Sekita e seu vice, Lander Inácio, sobre o alcance, aspectos técnicos e previsão para o início das obras. A reportagem teve acesso ao mapa do perímetro urbano com as respectivas ruas e avenidas onde serão instaladas as Redes pluviais e realizadas as obras de pavimentação asfáltica nas mesmas. Confira abaixo os principais temas abordados durante a entrevista. Inicialmente, Makoto Sekita ressaltou que “A liberação dos recursos representa um marco para São Gotardo. Cerca de 70% a 80% da área urbana não possui rede pluvial, o que há décadas gera prejuízos constantes ao município. A obra permitirá corrigir um passivo histórico de infraestrutura, reduzindo danos provocados pelas chuvas e os gastos recorrentes com manutenção emergencial, como as operações Tapa-buracos.”
Mapa do perímetro urbano com as respectivas ruas e avenidas onde serão instaladas as Redes pluviais e realizadas as obras de pavimentação asfáltica nas mesmas.
“Os R$ 95 milhões destinados ao projeto foram liberados pelo Programa de Revitalização de Recursos Hídricos, integrado ao Novo PAC. O valor já está disponível em conta, pronto para execução.”
“A expectativa é que o processo licitatório seja iniciado em até 90 dias, com início das obras durante o período seco de 2027.”
“Mapeamos a topografia e observamos o comportamento das águas das chuvas para definir o traçado das novas redes. Em áreas com grande declividade, as enxurradas ganham força, e a drenagem adequada é fundamental para reduzir riscos e danos.”
“A rede pluvial será instalada em todos os pontos do perímetro urbano que ainda não dispõem desse sistema. Onde houver intervenção, faremos também o recapeamento das vias, garantindo acabamento e durabilidade. Apenas áreas já drenadas ou de topografia plana ficaram fora do plano.”
“O projeto contempla a implantação de rede pluvial em toda a área urbana que ainda não dispõe desse sistema. Apenas locais que já contam com drenagem ou apresentam topografia plana foram excluídos. Onde houver instalação de novas redes, será feito também o recapeamento das vias, garantindo qualidade e durabilidade ao pavimento.”
“Os estudos técnicos foram elaborados com base no mapeamento topográfico e na análise do comportamento das águas da chuva. Um dos principais objetivos é ampliar a segurança, evitando alagamentos e mitigando a força das enxurradas, especialmente em ruas com grande declividade. Também estão previstos dispositivos paralelos de drenagem para aliviar a pressão sobre o Córrego Confusão, complementando o funcionamento das barraginhas e das estruturas de contenção já existentes.”
“O investimento autorizado, no valor total de R$ 95 milhões, foi viabilizado por meio do Programa de Revitalização de Recursos Hídricos, dentro das ações do Novo PAC. Os recursos já estão depositados e disponíveis para execução. A expectativa é que o processo licitatório seja iniciado em até 90 dias, com início das obras durante o período seco de 2026.”
“O vice-prefeito Lander Inácio enfatizou que a obra trará um impacto estrutural significativo. Além de solucionar um problema que se arrasta há décadas, permitirá que o município redirecione, no futuro, recursos hoje destinados à recuperação de vias para investimentos em outras áreas e distritos, como Guarda dos Ferreiros. A drenagem adequada reduzirá riscos e melhorará a qualidade de vida da população.”



