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    Sexta, 29 Maio 2026 12:22

    Os tempos eram assim

    Aproximam-se as eleições. Ao que tudo indica, o Brasil seguirá dividido. Neste maio de céus belíssimos, quem apostar num resultado fará uma ação temerária. Minhas posições políticas são conhecidas e eu temo que se instaure uma democracia que signifique o domínio incontestável da maioria.

    Não quero discutir política neste espaço. Indico apenas a leitura do poema de Brecht “Aos que virão” e transcrevo um trecho dele:

    “Vós, que surgireis da maré

    em que perecemos,

    lembrai-vos também,

    quando falardes das nossas fraquezas,

    lembrai-vos dos tempos sombrios

    de que pudestes escapar.”

    O que eu quero é falar de alegria e relembrar alguns casos de nossos conterrâneos:

    “Eu como qualquer verdura, dizia o Lipran completando, desde que tenha uma carninha pra empurrar”. Quem me contou foi a Goretti, filha dele.

    O carteado entrava pela madrugada fria a dentro, quando o Lipran interrompeu o jogo e disse: - Vamos rezar um Padre Nosso e uma Ave Maria pela alma de quem inventou o baralho.

    O Naná passou a noite sapeando o carteado e, quando o dia começou a clarear, espreguiçou e disse: -Não sei como vocês aguentam jogar esse tempo todo! E foi-se embora.

    Um fazendeirão perdeu uma boa quantia e deu um cheque para pagar. A seu lado, um comerciário pobre ofereceu-se para ser avalista, o que se fazia assinando a parte de trás do cheque. Aí, meu compadre Tiãozinho Flamengo não aguentou: - Num vou deixar você sujar as costas do cheque, não!

    O moço era da turma dos que iam pagar uma conta de duzentos reais, num sábado à tarde, com uma só folha de cheque (que está em rápida extinção) e dizem ao credor:


    - Preciso dar um cheque maior, pois vou viajar. O senhor desconta os duzentos e me dá o resto em dinheiro. A dívida passa a ser de 500 ou 700 e certamente o espertalhão passará a comprar em outro lugar.

    Reparto com vocês um episódio fantástico, representativo do humor mineiro, contado pelo Tião Franco. Os velórios ainda eram na casa dos falecidos e eles prestavam a última homenagem a um amigo. De madrugada acabou a bebida e faltaram tira-gostos. Começaram a recolher dinheiro para mandar buscar nalgum bar que estivesse aberto. A viúva quis colaborar e teve que ouvir: - A senhora, não, a senhora já entrou com o defunto.

    Espero que sobreviva a alegria, irmã siamesa da esperança, parceiras que são da democracia.

    Espero que aprendamos a respeitar as diferenças e nunca mais se perca um amigo por política ou um parente por futebol.

     

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